segunda-feira, 17 de outubro de 2011

As estrelas do Michelin

O dia começou com uma neblina grossa e surpreendente para a época do ano, o fog tomou conta da cidade, mas algumas horas depois o sol abriu e soprou uma brisa apenas fresca. De repente depois do primeiro frio da manhã uma emergência em despir toda a lã sobreposta e desnecessária e aproveitar o outono quase quente com uma floração primaveril tardia. Kings Road é a meta e o The Botanist o restaurante. Já escrevi no blog sobre ele, sacrilegamente nos últimos tempos foi guardado numa segunda gaveta e substituído pela vã função de novas aventuras gastronômicas em Londres.
A distância às vezes faz coisas que o paladar agradece, e assim depois das últimas frustrações o retorno foi necessário e pródigo confirmando que adentrávamos um restaurante de verdade, desses onde da água ao café nenhuma vírgula pode ser acrescentada, tudo no lugar certo, na hora certa, de paladar correto e apurado e visual irretocável.
Se tem estrelas do Michelin eu não sei, e prefiro nem perguntar porque os dois últimos estrelados onde comi custaram muito dinheiro e não me disseram absolutamente nada, fiquei envergonhada de comentar afinal entre minha opinião e as estrelas Michelin...
Eu vegetariana me fartei num creme quase espuma de aipo trufado regado com um fio de azeite de trufas e em seguida comi uma salada quente de girolles com mini cenouras, parsnips (que são parentes da cenoura embora brancos) laminados e fritos em pouquíssimo óleo, rabanetes cozidos no vapor em tempero muito suave e castanhas levemente açucaradas. De sobremesa uma esponja de figos com levíssimo creme caramelo e tudo regado a Chardonnay do sul da França estupidamente gelado. Degustação feita em companhia de minha amiga Daniela, muito elegante, que gemia enquanto comia um risoto de frutos do mar al dente acompanhado de lulas crocantes em parmesão que não provei, mas pude ver o bonito conjunto e sentir o aroma do prato, além, é claro, de escutar seus ais durante todo o almoço! De sobremesa ela pediu um petit gateau recheado de frutas vermelhas acompanhado de sorvete artesanal de morangos envolto em finíssimo biscotti. A conta foi bastante razoável, o serviço impecável e o expresso bem quente, o que atualmente é raro, já que muitas máquinas mais modernas se recusam a “queimar” o pó do café com água excessivamente quente. Saindo de lá uma passada imprescindível pelo mercado gourmet do Harvey Nichols, vontade de levar todas as novidades não faltou, mas me bastou um vidrinho de azeite de trufas brancas que estão na estação e levantam o moral até mesmo de um simples miojo quentinho.
Bom depois de um mês batendo perna à porta de mesas estreladas Michelin que me perdoe, mas vou ser bastante mais parcimoniosa na hora de contar estrelas, dito isso eu e Daniela já temos almoço agendado em Niterói no restaurante do museu, comi uma vez lá logo depois que abriu e gostei muito de tudo o que vi e comi.
Dou notícias durante a semana e alguma receita legal! Bon appetit!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Palestra do dia 19/10

“Criado o primeiro homem, levou-o Deus a passear entre as arvores e lhe disse: observa as obras que criei, vê como são belas! Procura não pecar e não destruir o mundo que fiz. Pois se vieres a estragar algo, não haverá quem conserte. (Talmude)


Não apenas belas e nem apenas alimentícias, o que brota da terra não é apenas matéria para nos alimentar, mas também farmácia para nos curar. A natureza é sabia e produz em cada estação aquilo que nosso corpo precisa para se manter saudável. No inverno os alimentos são mais escuros, saem debaixo da terra, as raízes trazem do solo calor para nos aquecer e as hortaliças como a salsa, coentro, couve manteiga, repolho são ricos em vitamina C e sais minerais para nos proteger de gripes assim como a laranja, tangerina, morango, uvas e bananas que são abundantes no inverno. No Brasil quase tudo cresce em quase todas as estações, como por exemplo, as bananas, laranjas e tangerinas também as batatas, cenouras, abóboras entre outros. No frio é a vez dos alimentos com menos água, as frutas e legumes com muita água e cor brotam no calor pra matar a nossa sede e amenizar a temperatura do corpo e ajustar o termostato. Na hora de comprar, compre o que está barato, porque se tem muito está na safra e se está na safra menos veneno é usado.
O veneno usado para matar bicho de lavoura vai ficando na gente e o alimento que era para fazer parte da farmácia natural, embora ainda funcione como tal, tem um “efeito colateral” acrescentado, o veneno, então o bom é procurar comprar de quem planta pouco, porque remédio de lavoura é caro e quem vende menos não pode se dar a esse luxo. É bom também fazer compra no fim da feira porque com o tempo que fica no tabuleiro ao sabor do sol, o legume, a fruta e a verdura dão uma espreguiçada da viagem. Tudo que vem de mais longe de onde a gente mora é colhido antes da hora, antes de estar completamente maduro e aí não desenvolve o potencial necessário, ao invés de farmácia inteira fica só meia farmácia, mas ainda tá valendo!
Nós como civilização, estamos divididos em antes e depois da descoberta do fogo. Descobrir o fogo significou não apenas se aquecer durante as estações frias ou iluminar caminhos à noite ou manter animais afastados do sono dos homens, significou cozinhar! E cozinhar mudou a vida dos homens que se até ali eram nômades, deixaram de apenas acampar para fincar raízes, plantar e criar animais e produzir os primeiros utensílios de cama e mesa, e assim desde essa época, cozinheiros e artesãos foram sempre muito valorizados. E vai daí que pequenos povoados foram aparecendo e com eles novos alimentos também.
A coalhada, por exemplo, foi descoberta por acaso. O leite ordenhado e levado no lombo dos camelos em potes de barro para ser bebido durante as viagens talhava debaixo de tanto calor e de tanta estrada e era tomado assim, coalhado, e com o passar do tempo e algumas pesquisas foi descoberto que era um alimento excelente e barato. Do leite foram aparecendo os derivados: manteiga, queijo e iogurte. Já a margarina, não tem uma gota de leite nela e nem somra de parentesco com ele e pior,é comparada ao plástico, a fórmula é bem parecida, a diferença entre os dois é de apenas uma molécula. Se você deixar a margarina fora da geladeira durante semanas ela nem apodrece, nem atrai bichos e nem cheira mal. A margarina foi criada na França, num concurso durante um período em que leite era racionado e obrigatoriamente tinha a cor branca para ser diferenciada da manteiga, além de ter preço muito mais barato, mas não faz bem a saúde, na verdade ela é a tal da gordura hidrogenada, a que faz mal, a gordura saturada. Manteiga é um alimento bom, mas precisa ser consumido com moderação, não se escuta dizer que o povo francês morre muito de doenças relacionadas com gordura e eles são seguramente os maiores produtores e consumidores de laticínios do mundo. Pronto, de volta a farmácia! Comida e remédio precisam de moderação, então a gente não exagera nem no sal e nem no açúcar, evita comida em conserva, conserva vem de conservante que além de sal e açúcar e gordura em excesso pode significar ainda corantes e outros aditivos que não fazem muito bem a saúde. Sal em excesso impede a urina de fluir e fica no sangue, fazendo pequenos depósitos aqui e ali, numa poupança que não é muito boa porque vai impedindo o sangue de andar livre pelo corpo, o açúcar e as gorduras em excesso também não dão passagem. Pode-se comer de quase tudo um pouco, e é um bom hábito aprender a ler os rótulos. Não entendeu alguma coisa? Procure informação, ajuda de quem sabe, a gente evita muita doença quando conhece aquilo que come. É bom também botar na ponta do lápis o que se gasta com alimento, se por acaso usamos alimentos empacotados ou enlatados a conta aqui é diferente, o excesso de gorduras e conservantes vai significar dias, semanas, meses e até anos roubados da nossa vida e para isso é preciso acertar a contabilidade rapidamente antes que fique muito caro. A gente vive com pressa, vive cansado e infelizmente se alimentar mal agrega menos saúde e mais mal estar e mais cansaço que vira mais mal estar e mais cansaço, até que tudo junto vira doença, somos definitivamente aquilo que comemos! Nossa saúde e nossa doença dependem mais dos alimentos que escolhemos do que imaginamos, vivemos cada dia mais para comer do que comemos para viver e assim adoecemos matando a fome com biscoitos recheados e salgados empacotados, sempre com pressa, comendo distraidamente e sem nos darmos conta de quão pouco cuidado dedicamos aos únicos bens verdadeiros que temos: vida e saúde. Muitos de nós gastamos horas cuidando da aparência sem dedicar tempo necessário para a escolha e preparo adequado dos alimentos, mas o que aparentamos por fora tem tudo a ver com o que colocamos para dentro. Vale à pena investir em panelas que peçam menos gordura na hora do preparo, vale à pena servir um prato com alimentos de muitas cores, legumes e verduras de preferência pouco cozidos sobre banho-maria, salpicados com pouco sal e ervas frescas picadas. Fazer uma hortinha em casa ocupa pouco espaço e garante uma alimentação mais saborosa e saudável, eu já vi hortas suspensas feitas em porta- sapatos plásticos com furinhos embaixo, pendurados em lugar que tenha sol e não requer talento especial e nem dá muito trabalho, sol e água dão conta do recado. Tomates, por exemplo, que levam veneno pesado, podem ser plantados em vaso sendo os mais práticos os pequenos: retira-se as sementes para serem secas, primeiro com papel toalha e depois arejando em local fresco e claro, aí é só plantar em vaso, o resultado é uma planta ornamental bonitinha e tomates bem doces e livres de agrotóxicos.
Vivemos no século da pressa e a pressa é inimiga da refeição. Se Deus aparecesse hoje no supermercado com certeza a maçã não seria a vítima da proibição desse século, mas os salgadinhos, os enlatados, refrigerantes e doces industrializados.
O que faz um alimento ficar conservado é açúcar, gordura e sal que se usados em excesso vão minando gradativamente a saúde. Leia o rótulo dos alimentos como quem lê a bula de um remédio, porque no fim é isso o que os alimentos são, instrumentos de cura e bem estar e dito isso, não significa que tenham que ser feios ou sem graça, o que precisam é de nosso interesse para serem saudáveis e saborosos. Beber bastante água, água pura sem mistura, limpa aquele alimento que talvez não seja tão bom para o nosso organismo.
Acrescentar frutas cítricas na dieta diária ajuda a limpar nossos canais, não é fato que usamos o limão para retirar gorduras e para limpar o cobre, a prata e o bronze? Então beber limonada que é boa e barata é bom para o nosso corpo, limpa as gorduras, aumenta a resistência e ainda ajuda a afastar muco e gripe que muitas vezes são obra de intolerância alimentar ou resultado de excessos que derrubam a imunidade.
Educação alimentar é sempre melhor que remédio, procurar informação sobre o que se come e atualizar o que diziam nossas mães e avós não se perde no tempo.
A modernidade trouxe muitos benefícios,mas como toda mudança,efeitos colaterais que apenas o tempo irá, tomara, ajustar.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Batata foi elevada a categoria de alimento super nutritivo

Eu por exemplo não me surpreendo e fico super à vontade com o fato de sempre ter sido defensora e consumidora de batatas, e não entendo porque depois de milênios freqüentando nossas mesas só agora estudos reconheçam seu valor. De origem peruana, dos altos Andes onde qualquer esforço a mais significa um excesso verdadeiro, manteve essas populações bem alimentadas e protegidas de forma acessível.
Rica em vitamina C, a batata é o vegetal mais rico em potássio do planeta, para que serve potássio? Principalmente para manter o coração funcionando bem e manter o corpo hidratado, quer mais do que isso? Tem mais, é só pesquisar.
O que engorda na batata? Tudo que não é batata, fritura, molhos, gorduras,queijos e os diversos aditivos para sabor e conservação adicionados quando são industrializadas.
Um pacote de batatas fritas comprado no supermercado tem “embutido” aproximadamente 70 ml de gorduras em seu preparo, imagine o esforço e tempo despendidos numa engrenagem que tem que funcionar com excesso de graxa, pois assim se sente nosso organismo cada vez que uma carga de gordura excessiva é ingerida. Mas a batata mesmo, pobre, pobre em gorduras,o que não quer dizer que possa ser ingerida em excesso, aliás nada em excesso é bom sabemos todos por experiência própria, mas porque insistimos? Força do hábito de ingerir indiscriminadamente aquilo que parece ser mais fácil e dá menos trabalho, porém esse trabalho dá frutos a médio e longo prazo,assim como as “comidas fáceis” também! Não é possível manter uma dieta baseada em excesso de sal, açúcar, farinhas e gordura animal sem pagar um preço alto por isso, mas isso todos nós sabemos não é mesmo, mas colocamos em prática? Talvez porque diferentemente de nossos ancestrais que conheciam o poder medicinal dos alimentos, nós acreditamos em remédios que aparentemente curam mais rapidamente e que mesmo tomados conforme prescrição nem sempre curam e às vezes deixam rastros de efeitos colaterais além do que precisam a priori “ter “uma doença para curar, sejamos mais rápidos, evitemos...
Eu acredito firmemente que quem cozinha precisa entender de alimentos, conhecer as combinações e misturas, a durabilidade e a utilização sazonal para manter a saúde de quem come, de quem produz e do solo produtor, a interação quebrada é a falta de saúde generalizada que presenciamos hoje, então viva a batata!
Durante a segunda guerra na Inglaterra o racionamento de comida foi bem apertado e um amigo meu, David Howard, foi praticamente alimentado com batatas, e claro que só batata é muito pouco e a desnutrição deixou marcas nele mais tarde, uma das receitas que me ensinou foi essa:

Cascas de batatas assadas com iogurte temperado
(para essa receita o ideal é usar as orgânicas porque os defensivos agrícolas se instalam nas cascas)

Ingredientes para assar as batatas:

cascas de batatas bem lavadas
papel manteiga
pouco azeite
sal
orégano para temperar

Preparo:

Seque bem as casacas, forre uma forma com papel manteiga, pincele com azeite e disponha as cascas e tempere com sal e orégano, forno quente por 15/20 minutos.


Ingredientes para o iogurte temperado:

1 copo de iogurte natural
um punhado generoso de cebolinha e salsa
sal a gosto

Preparo:

misture tudo e utilize

sábado, 24 de setembro de 2011

Almoço no Dinner de heston Blumenthal

Há privilégios que devem ser obrigatoriamente reconhecidos e estar em Londres ainda mais com improváveis 24º a essa época do ano merece reconhecimento profundo.
Andar num dia quente e ensolarado assim por Notting Hill Gate e flanar pelo mercado de antiguidades na Portobello Rd. preçando aqui e ali alguma prataria ou louça antiga é um passeio muito especial, mesmo para quem volta e meia pode se dar ao luxo. Digamos que flanar não foi bem o que fiz já que não deixei de controlar o relógio a cada tanto e quase me atraso para o almoço, na verdade o compromisso para o qual eu estava ansiosa de verdade desde cedo. Almoço no Mandarin Hotel, no Dinner de Heston Blumenthal. O Mandarin tem mais estrelas que o céu sobre ele e o Dinner, que reabriu há uns dois dias é cria de Blumenthal e de seu chef executivo Ashley Palmer-Watts, tem como carro chefe a releitura de pratos da antiga gastronomia inglesa.
Muitos drinques numa carta farta, vinho branco Bordeaux estupidamente gelado e excelente e cardápio enxuto com o que a culinária britânica sempre considerou la créme de sua gastronomia, caça! Por isso mesmo quando há um mês fiz a reserva frisei minha preferência vegetariana e para minha surpresa o cardápio está preparado para esse tipo de mudança. Na cozinha pude ver através do vidro pelo menos 5 pessoas cozinhando, assim que o Salamungundy uma salada originalmente feita com coração defumado de vitelo, beterraba e rabanete no vapor, teve o coração de vitelo substituído pelo da alcachofra e o prato principal não precisou de retoques, foi aipo grelhado com pickles de nozes, maçã e cebolas. De sobremesa chocolat bar com sorvete de gengibre que unindo sabores tão fortes imaginei que fosse uma sobremesa pujante e cheia de personalidade, mas gostei muito do biscoito de alcarávia que acompanhou o café.
Enfim o dia foi longo e farto de surpresas e apesar da hora tardia ainda há uma pequenina luz no horizonte, mas o corpo pede cama, assim que uma boa noite a todos e bom fim de semana.

sábado, 10 de setembro de 2011

Abóboras e história

Estão super na época, enchendo as gôndolas do supermercado e tabuleiros das feiras livres. As baianas super doces e macias convidam a muitos pratos e aqui vão servir para uma torta leve misturada com queijo de cabra orgânico e que pode ser pré-preparada antes da praia e levada ao forno novamente na hora do almoço, com ela pode ser servido sete cereais ou arroz negro guarnecido com cebolinhas picadas como comi na casa da Letícia e estava delicioso. O arroz negro era servido apenas ao imperador e sua família desde a dinastia Sān Huáng Wǔ Dì, há aproximadamente 4000 anos atrás. Servido atrás dos muros da Cidade Proibida, foi assim batizado quando após a queda das últimas dinastias, as Míng e Qīng foram derrubadas e com elas todo o luxo que a realeza chinesa ostentava foi rotulado de supérfluo e decadente, inclusive a bagagem cultural voltada para as artes e cultivada desde o período das rotas da seda e do chá. Alguns historiadores afirmam que o arroz ficou perdido por séculos, outros que foi levado a Europa pelos espanhóis e depois esquecido pelo preço alto que ostentava e pelo estranhamento que causava a uma sociedade que recém se encantava com os refinados. Aqui no Brasil reza a lenda que um agrônomo/pesquisador brasileiro foi o responsável por sua redescoberta e batismo. Realidade à parte, a verdade é que atualmente o arroz é exportado pelo Brasil e vem sendo cultivado desde 1994 em solo brasileiro e o melhor é que pode ser encontrado na forma orgânica! Ao tratarmos de história vamos esbarrar em pontos de vista daqueles que pesquisam, das circunstâncias e materiais disponíveis no momento e principalmente de informações que resistem ao tempo e as traduções possíveis. No site que se segue informações bacanas de utilização e preparo do arroz proibido.Bon appétit!
http://www.chacaradeorganicos.com.br/tag/arroz-negro/

Torta de abóbora

Ingredientes:

1 media de massa da quiche básica (pag 44 do livro Da colheita para a mesa) acrescida de 2 cls de sopa de mistura de gergelim branco e preto
2 xcs de abóbora cozida no vapor
1 xc de queijo cremoso de cabra (Capril Deville)
2 ovos
galhos secos de orégano ou alecrim

Preparo:

Forno pré-aquecido e quente. Processe o queijo e os ovos e incorpore a abobora, prepare na própria forma desmontável a massa crua e deite aí o recheio cubra com muito orégano ou alecrim, abaixe um pouco a temperatura e leve para assar em forno médio por 20 minutos. Reaqueça na hora de usar ainda dentro da forma. Sirva com salada verde bem temperada e arroz. De sobremesa na página 148 do livro um granizado que pode ser de frutas vermelhas acrescido de iogurte espesso e adoçado com mel de trufas brancas.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Boi voador…

A noite veio chegando coroada por uma lua quase cheia e por “Un Cuento Chino”, filme argentino recém em cartaz que começa com um boi caindo do céu na China e terminando de vez com uma história fadada a ser feliz para sempre, e como não existem coincidências o desenrolar dessa história termina em Buenos Aires.
Onde barreira lingüística não chega a ser problema levantam-se barreiras humanas que levam tempo e resistência antes de dissolverem, nunca totalmente porque todos temos limites e fronteiras intransponíveis, e mais vale observar com olhos mudos e ouvidos atentos do que cruzar muros não autorizados. Relações humanas podem e devem ser travadas com delicadeza, o que às vezes requer apenas silêncio, ouvidos e abstração, sair um pouco da zona de conforto pessoal e calçar o sapato do outro sem estardalhaço, existe em alguns de nós a mania estranha de achar que qualquer não é compulsoriamente um sim travestido.
Na tela comia-se pouco e de forma estranha, assim que uma passada rápida no mercado depois do filme, terminou com um pratinho de 250 gr de legumes para yaksoba da Korin (orgânico), miojo, queijo minas da fazenda Vale das Palmeiras (orgânico), vinho Sauvignon Blanc reserva 2010 da Casa Silva, óleo de gergelim tostado e amendoim torradinho em metades, et voilá, um jantar levinho antes de se recolher!

yaksoba de miojo com cubinhos de queijo minas

Ingrediente por pessoa:

1 ½ pacote de miojo(descarte o tempero que vem junto)
130 gr de legumes para yaksoba
2 cls de chá de óleo de gergelim tostado
1 punhado de amendoim tostado
1/3 de xc de queijo de minas em cubinhos

Preparo:

Aqueça o óleo de gergelim num wok ou frigideira funda e com pinça culinária saltei os legumes por 5 minutos, salgue a gosto, disponha o amendoim, acrescente o queijo e desligue o fogo, tampe até que o miojo esteja pronto. Misture cuidadosamente e sirva quente. Se quiser acrescente um shoyu misturado com açúcar mascavo e suco de gengibre.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Metade do planeta morre de fome e a outra metade morre do que come

Pouco se fala, e por razões óbvias, do tratamento que recebem os alimentos que chegam até nossa mesa. Ouvimos aqui e ali sobre hormônios dados a animais para crescimento rápido, confinamento de outros para reprodução relâmpago, uso de defensivos agrícolas, um eufemismo para agrotóxico, usado nas lavouras, mas quanto será que isso interfere em nossas vidas realmente? A resposta é: muitíssimo! Diariamente são reproduzidos artigos sobre pesquisas alimentares em diversos sites e em publicações especializadas. É fato que muitos de nós preferimos ignorar pelos mais diversos motivos ao que nos expomos e também ao resto do mundo, sem nenhum exagero, quando ignoramos de que forma é feita a produção de alimentos, principalmente no Brasil. Porque no Brasil especificamente? Porque felizmente para produtores e infelizmente para consumidores somos hoje considerados o maior produtor e distribuidor de agrotóxicos no mundo! A retórica dos produtores é que a demanda por alimentos numa população mundial crescente a cada dia obriga um tratamento agrícola drástico, mas que lógica é essa que alimenta para não matar e mata por contaminar? Alguma coisa nessa conta simplesmente não bate! De acordo com o suplemento Razão Social do jornal Globo de 6 de setembro, “Desde 2008, a Anvisa apontou o nome de 14 sustâncias presentes em agrotóxicos potencialmente nocivas à saúde para serem retiradas do mercado. Seis processos já foram concluídos, mas, desses, quatro ainda estão em definição na justiça, devido a liminares conseguidas pelas produtoras dos insumos.” alguns desses componentes já são proibidos há anos na União Européia, EUA e China e muitos dos produtos que exportamos têm que modificar seus processos agrícolas ou não são aceitos em nenhum país dessas comunidades, outros não são aceitos de forma alguma, então porque são vendidos indiscriminadamente por aqui afetando nossa mesa, saúde e nossa terra?
Dentre os vegetais mais afetados por agrotóxico estão; pepino, batata, morango, abacaxi, tomate e pimentão. Uns vêm carregados de venenos já proibidos e em altas doses e outros com concentração muito acima do permitido. A dica é: orgânicos quando possível e consumo de alimentos que estejam na safra e em sua região de moradia, na safra o uso de defensivos é menor. No caso dos tomates todo cuidado é pouco porque embora o licopeno seja um poderoso anticancerígeno os defensivos usados nos tomates, de acordo com pesquisas, são suspeitos exatamente de causar câncer entre outras doenças, e a ingestão continuada apenas aumenta os níveis de concentração de veneno em nosso organismo. Aqui algumas declarações que nos ajudam a entender um pouco o quanto prevenção é importante.
“Os perigosos fungicidas - Maneb, Zineb e Dithane -, embora proibidos em vários países, são muito usados, no Brasil, em culturas de tomate e pimentão. Os dois primeiros podem provocar doença de Parkinson. O Dithane pode causar câncer, mutação e malformações no feto.”( http://www.sindipetro.org.br/extra/cartilha-cut/11agrotoxicos.htm).
“O cirurgião Armando Portocarreiro, responsável pelo serviço nutricional do Hospital Samaritano, explica que os agrotóxicos estão associados a certos tipos de câncer no sangue, como a leucemia, e que em países como a França e a Suíça já existe lei determinando que os produtos com agrotóxicos tenham identificação especial.” (http://saudealternativa.org/category/agrotoxicos/), ou seja consumo por opção e não por falta de informação. Aqui acrescento também uma explicação breve para esclarecer uma confusão comum entre consumidores, a de que orgânico e hidropônico são primos irmãos, nem de longe! “O produto hidropônico é produzido em água com grande concentração de nutrientes químicos. As folhas absorvem toda a química, principalmente o nitrato, substância altamente cancerígena.”
( http://www.agrisustentavel.com/san/segselo.htm)
A diferença dos hidropônicos para as plantações comuns é a pouca ocupação do solo que se por um lado otimiza espaço por outro distancia o plantio de nutrientes necessários, mas não deixa igualmente de fazer uso de remédios e toxinas como as plantações comuns, enquanto o plantio orgânico precisa de certificado, passa por testes e exames para comprovação de pureza antes de receber um certificado.
Vale uma visitinha ao endereço a seguir para entender melhor essa diferença, http://www.planetaorganico.com.br/saudhid.htm.
Tudo isso dito que tal uma entradinha bem gostosa para esse feriado preguiçoso que pode ser acompanhada por um pão de campanha e um Cousiño Macul Antiguas Reservas Chardonnay 2007 geladérrimo? Et voilá:

Ingredientes para 4 pessoas:
1 “rolinho” de queijo de cabra ou queijo de cabra cremoso orgânico*
1 abobrinha orgânica
1 cl de chá de azeite de trufas
1 cl de chá de azeite de oliva orgânico (Borges)
*1 receita de compota de cebolas

Preparo:
Lave bem a abobrinha e com fatiador de queijo corte finas lascas. Unte uma forma com azeite, disponha as fatias e pincele com o azeite de trufas, forno quente por 10minutos. Retire do forno e reserve. Corte fatias de 2 a 3 centímetros do “rolinho”, ou se for usar queijo creme enforme em aro pequeno. Envolva com uma ou duas fatias de abobrinha, guarneça com a compota e salada verde.


*queijo de cabra orgânico certificado ( capril Deville, deville@guiamaua.com.br )

Compota de cebola
Ingredientes:
2 cebolas médias finamente fatiadas (rodelas)
1 cl de chá de manteiga
2 cls de sopa de açúcar

Preparo:
Em frigideira derreta o açúcar e refogue a cebola até ficar transparente 5/10 minutos. Polvilhe o açúcar e mexa até quase caramelar, 20 minutos aproximadamente. guarneça o queijo e sirva. Bon appétit!