quarta-feira, 8 de maio de 2013
O Direito de Envelhecer
Essa semana li uma reportagem de um famoso ator de teatro inglês que retrata bem a tragicomédia que é o nosso cotidiano. Há atualmente um irritante e crescente movimento politicamente correto que não apenas é cansativo, mas que no pretenso intuito de nos fazer sentir incluídos cria uma camisa de força da qual não podemos escapar porquanto não podemos nos expressar fora dela sem risco. Na entrevista o ator vai registrando a dificuldade que com mais de oitenta, quase noventa anos enfrenta e que eu particularmente acho que tanto a sociedade como os familiares resolveram adotar um tom otimista beirando a piléria para se redimirem da responsabilidade que não querem assumir, seja com a real situação do velho, seja com a possibilidade de, se sobreviventes, a velhice vir bater à porta ou com a irresponsabilidade de não se designar verbas específicas para uma idade em que não necessariamente a improdutividade é uma escolha, mas que as condições fisicas e às vezes psiquicas impõem. É comico como o ator transpõe seu cotidiano dizendo que recusa sistematicamente os já não muitos convites para almoços e jantares, porque simplesmente suas melhores roupas vêm sendo vítimas do tempo e ele, a exemplo de muitos outros contemporâneos vem se tornando um usurário contumaz, porque a cada dia o amanhã fica mais incerto e solitário. Com certeza por não querermos lidar com essa realidade e freneticamente buscarmos ignorá-la passamos por processos que prometem nos aliviar de nossa própria (real)idade com milagres que nos custam fortunas e tempo precioso que talvez pudéssemos dedicar aos amigos queridos, aos familiares que inevitavelmente irão embora e de quem mais tarde talvez lembremos com uma saudade distanciada, porque na verdade estivemos distantes. Nada contra qualquer coisa que nos faça sentir melhores, mais bonitos e mais saudáveis, ao contrário, uma velhice independente é verdadeiramente invejável e quem sabe com o passar dos anos e com tudo que vamos descobrindo a velhice passe apenas a ser uma contagem que não se sinta no corpo e nem na mente, mas apenas na carteira de identidade? A entrevista segue numa mistura de exaltação e melancolia,cubos de gelo num copo de whisky e a certeza de que o tempo não deixa barato. Queremos muito uma felicidade sem limites, mas...sem limites não há nada! Talvez a sabedoria esteja no escancarar e conter, no inspirar e expirar com naturalidade, no trilhar caminhos do meio quando existe a possibilidade e exagerar, apenas às vezes, como convém à sensação de liberdade. Comer se, e quando possível, até haver saciedade, misturar cores no prato e celebrar com um bom, um excelente vinho, quando se tem oportunidade! Não perder as comidas imperdíveis, as caminhadas oxigenadas, o filme, a peça e a ópera de que mais se gosta, porque tudo, absolutamente tudo, muda inevitavelmente ao sabor do vento! Evitar, pelo menos nas 2as feiras quando o corpo sofre os excessos da semana e do fim dela, qualquer tipo de carne, dar um tempo para o paladar e a resistência do corpo para o excesso de hormônios injetados em todos os animais de corte e principalmente não guardar as coisas "para sempre", porque nada dura tanto tempo assim. Bom dia, bon appétit e lembre de guardar as 2as feiras sem carne, com o tempo seu corpo vai agradecer!
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Longo inverno sem postar, mas finalmente the book is on the table! Em julho vai ter livro novo na praça!
Mas trocando de saco pra mala, como diz um amigo, eu estava lendo o suplemento do Globo de ontem, (O globo Amanhã) e me deparei com o artigo Slow Food escrito por Érica Magni, acho que depoimentos como o colhido por ela e que reproduzo a seguir deviam ser espalhados pelos outdoors das cidades, apenas para nos ilustrar ...Abre aspas, Fiquei internada por conta de uma bactéria alimentar, isso foi o golpe derradeiro. Precisei gastar muito dinheiro e tempo para me recuperar. Fiz uma dieta que excluia os conservantes e minha pele ficou bem mais saudável. Prometi que não voltaria a consumir nada processado. Daí, passei a fazer meus pães, bolos, massas, e principalmente analisar a procedência dos ingredientes. Isso inclui os ovos, o trigo, as carnes, o leite, as verduras e as frutas- Fecha aspas...
Acho que sabemos todos, ou quase, dessas coisas que nos acontecem quando pulamos a cerca pra cortar caminho, a verdade é que no quesito alimentação não há extamente um possivel caminho tão mais curto, mas tentamos, sempre apressados, e passamos por cima daquilo que não dá pra ser atropelado: o que a gente come, e que pode resultar em saúde ou doença, afinal saúde e doença são uma escolha pessoal.
Os tempos urgem ou rugem como preferem alguns, mas precisamos comer tanto quanto respirar, então, por favor, menos pressa! O que comemos durante o dia nem precisa ser tão elaborado, o que não significa que precise ser tão aditivado que faça a gente esquecer o que se está comendo. Basta um punhado de coisas frescas com ou sem cascas, uma vitamina de muitas cores e pouco leite, um queijo fresco, uma torrada, mas ora direis, e a comida quente meu?! Comida quente na pressa?!? Dá gases...Já reparou? Então comida quente é pra se comer com tempo e saborear, slow pra dar tempo de bater um papo a cada vez que a boca esvazia, entre garfadas, porque comida precisa ser alegre desde o plantio até a digestão e por isso eu prefiro orgânicos que mesmo antes da semente tocar o solo tudo já foi pensado de forma mais humana, sem remédios no solo, na semente, na lavoura, no agricultor, na sua mesa e no seu estômago, o que resulta em menos necessidade de remédios durante a vida e com isso menos efeitos colaterais, passados 50 anos e outro tanto tomo apenas sintroid pra tireóide. Uma dieta vegetariana substancial e colorida, caminhadas regulares mudando de cenário, um pouco menos de sal, um pouco mais de água, brisa fresca e boas gargalhadas, fazem toda a diferença, sem esquecer é claro, de uns copos de vinho porque ninguém é de ferro e disciplina e felicidade dão melhores frutos quando caminham de mãos dadas.
Bom por hoje é só, queriaapenas repartir o depoimento que li, porque a saúde ou falta dela começa na gente e é incrível como lutar por ela muda completamente o sistema ecológico, pense nisso com carinho. Bom feriado et bon appétir toujours!
Mas trocando de saco pra mala, como diz um amigo, eu estava lendo o suplemento do Globo de ontem, (O globo Amanhã) e me deparei com o artigo Slow Food escrito por Érica Magni, acho que depoimentos como o colhido por ela e que reproduzo a seguir deviam ser espalhados pelos outdoors das cidades, apenas para nos ilustrar ...Abre aspas, Fiquei internada por conta de uma bactéria alimentar, isso foi o golpe derradeiro. Precisei gastar muito dinheiro e tempo para me recuperar. Fiz uma dieta que excluia os conservantes e minha pele ficou bem mais saudável. Prometi que não voltaria a consumir nada processado. Daí, passei a fazer meus pães, bolos, massas, e principalmente analisar a procedência dos ingredientes. Isso inclui os ovos, o trigo, as carnes, o leite, as verduras e as frutas- Fecha aspas...
Acho que sabemos todos, ou quase, dessas coisas que nos acontecem quando pulamos a cerca pra cortar caminho, a verdade é que no quesito alimentação não há extamente um possivel caminho tão mais curto, mas tentamos, sempre apressados, e passamos por cima daquilo que não dá pra ser atropelado: o que a gente come, e que pode resultar em saúde ou doença, afinal saúde e doença são uma escolha pessoal.
Os tempos urgem ou rugem como preferem alguns, mas precisamos comer tanto quanto respirar, então, por favor, menos pressa! O que comemos durante o dia nem precisa ser tão elaborado, o que não significa que precise ser tão aditivado que faça a gente esquecer o que se está comendo. Basta um punhado de coisas frescas com ou sem cascas, uma vitamina de muitas cores e pouco leite, um queijo fresco, uma torrada, mas ora direis, e a comida quente meu?! Comida quente na pressa?!? Dá gases...Já reparou? Então comida quente é pra se comer com tempo e saborear, slow pra dar tempo de bater um papo a cada vez que a boca esvazia, entre garfadas, porque comida precisa ser alegre desde o plantio até a digestão e por isso eu prefiro orgânicos que mesmo antes da semente tocar o solo tudo já foi pensado de forma mais humana, sem remédios no solo, na semente, na lavoura, no agricultor, na sua mesa e no seu estômago, o que resulta em menos necessidade de remédios durante a vida e com isso menos efeitos colaterais, passados 50 anos e outro tanto tomo apenas sintroid pra tireóide. Uma dieta vegetariana substancial e colorida, caminhadas regulares mudando de cenário, um pouco menos de sal, um pouco mais de água, brisa fresca e boas gargalhadas, fazem toda a diferença, sem esquecer é claro, de uns copos de vinho porque ninguém é de ferro e disciplina e felicidade dão melhores frutos quando caminham de mãos dadas.
Bom por hoje é só, queriaapenas repartir o depoimento que li, porque a saúde ou falta dela começa na gente e é incrível como lutar por ela muda completamente o sistema ecológico, pense nisso com carinho. Bom feriado et bon appétir toujours!
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
trufas de panetone
Quarta feira a noite pra quem não tem tv a cabo e precisa respirar um pingo depois de muitas horas de escrita e que além do mais não curte futebol tem que ser no mínimo gastronômica, modesta que seja, mas gastronômica. Então me preparando para fugir do tédio, comprei na volta para casa uma 1/2 garrafa de tinto Montes Alpha chileno, um bloco de queijo tipo feta de cabra, maçãs crocantes (pensei em inglês crispy e não tenho certeza dessa tradução, mas...) e como uma coisa leva a outra pensei que umas trufas fariam boa companhia a minha pequena farra, vinho pra mim termina sempre em doce. Como a coisa que mais gosto no natal são os bolos, um que anualmente um grande amigo faz e que para acompanhar preparo um sorvete de creme e conhaque, e panetone, gosto muito de panetone, e como por acaso(...) tinha um na despensa...A receitadas trufas é bem básica e fácil.
ingredientes:
1 barra de chocolate semi amargo
100 ml de creme de leite
1 xícara de panetone em pedacinhos
2 a 3 gotas de azeitede trufas (opcional)
cacau em pó
preparo:
Leve o chocolate para dereter no banho-maria, sobre panela que não deixe escapar vapor, o que encresparia o chocolate, e antes que esteja completamente derretido acrescente o creme de leite e o azeite e depois os pedaços de panetone mexendo bem. Deixe esfriar e leve por 15/20 minutos a geladeira. Coloque 1/2 xícara de cacau em pó num bowl, e se tiver experiência faça as trufas com a ajuda de duas colheres de chá, se não, enrole como brigadeiros e passe pelo cacau, depois retorne a geladeira por 1 hora et bon appétit!
ingredientes:
1 barra de chocolate semi amargo
100 ml de creme de leite
1 xícara de panetone em pedacinhos
2 a 3 gotas de azeitede trufas (opcional)
cacau em pó
preparo:
Leve o chocolate para dereter no banho-maria, sobre panela que não deixe escapar vapor, o que encresparia o chocolate, e antes que esteja completamente derretido acrescente o creme de leite e o azeite e depois os pedaços de panetone mexendo bem. Deixe esfriar e leve por 15/20 minutos a geladeira. Coloque 1/2 xícara de cacau em pó num bowl, e se tiver experiência faça as trufas com a ajuda de duas colheres de chá, se não, enrole como brigadeiros e passe pelo cacau, depois retorne a geladeira por 1 hora et bon appétit!
sábado, 17 de novembro de 2012
Almoço rápido pra domingo
O friozinho convida, mas amanhã é domingo dia de pouco trabalho, assim que: o almoço tem que aquecer, ser saboroso e principalmente rápido, então mãos as compras para já estar tudo estocado antres de começar. Nunca é demais lembrar que os ingredientes têm que ser sempre os melhores que se pode comprar, preferencialmente os orgânicos, um pouco caro? Garanto que sai mais barato e saboroso do que comer fora, e não vai ser nem preciso enfrentar fila e a chuva fina desse invernico estemporâneo então vamos lá! O pão pode ser feito em casa para molhar em azeite especial, vale uma olhada no http://www.youtube.com/watch?v=zh-tjdbhlws para preparar pão mediterrâneo saboroso e fácil, na lista de compras fermento para pizza, farinha de trigo, alecrim ou orégano, e para o próximo prato: sopa de pêras com rúcula, são 2 peras por pessoa, rúcula e amêndoas peladas e fatiadas, a sopa pode ser servida quente ou fria, depende de como está o dia e o gosto do freguês, fica igualmente saborosa. Prato principal? Risoto de aspargos frescos e brie e pra terminar banana da terra assada no forno ao fleur du sel, 25 ml de suco de laranja, canela em pó e grana padano ralado, hummmmmmmmmmmmm, o vinho escolhido para acompanhar foi o chileno Ecos de Rulo carmenere safra 2009.
Para a sopa descasque, desosse e cozinhe as duas pêras em 1 copo de água filtrada com 5 ou 6 folhas de rúcula, quando as pêras estiverem macias pocesse tudo e tempere com sal e azeite, toste as amêndoas em frigideira para guarnecer a sopa quando servir em bowls individuais. Para o risoto, primeiro o caldo feito com alho e cebolas picados e refogados junto com as pontas mais duras da base dos caules de aspargos,acrescente água e sal, coe e reserve. Para o risoto arroz arbório, NÃO LAVE, é preciso manter o amido, refogue alho e cebola, junte o arroz, o caldo e água quente se for necessária, quando estiver próximo do cozimento coloque os talos de aspargos picados, depois 50 gramas de grana padano ralado e no fim ao invés da manteiga 2 a 3 colheres de sopa de brie, mas só o miolo sem a casca, se quiser pode acrescentar 1/2 copo de vinho branco ou champagne junto com o caldo, ou não, como diria Caetano...
A banana da sobremesa leva um corte ao comprido na casca, que uma vez aberta é regada com a mistura de suco, sal e canela e por cima o queijo ralado. Trés bom appétit e trés bon dimanche!
O friozinho convida, mas amanhã é domingo dia de pouco trabalho, assim que: o almoço tem que aquecer, ser saboroso e principalmente rápido, então mãos as compras para já estar tudo estocado antres de começar. Nunca é demais lembrar que os ingredientes têm que ser sempre os melhores que se pode comprar, preferencialmente os orgânicos, um pouco caro? Garanto que sai mais barato e saboroso do que comer fora, e não vai ser nem preciso enfrentar fila e a chuva fina desse invernico estemporâneo então vamos lá! O pão pode ser feito em casa para molhar em azeite especial, vale uma olhada no http://www.youtube.com/watch?v=zh-tjdbhlws para preparar pão mediterrâneo saboroso e fácil, na lista de compras fermento para pizza, farinha de trigo, alecrim ou orégano, e para o próximo prato: sopa de pêras com rúcula, são 2 peras por pessoa, rúcula e amêndoas peladas e fatiadas, a sopa pode ser servida quente ou fria, depende de como está o dia e o gosto do freguês, fica igualmente saborosa. Prato principal? Risoto de aspargos frescos e brie e pra terminar banana da terra assada no forno ao fleur du sel, 25 ml de suco de laranja, canela em pó e grana padano ralado, hummmmmmmmmmmmm, o vinho escolhido para acompanhar foi o chileno Ecos de Rulo carmenere safra 2009.
Para a sopa descasque, desosse e cozinhe as duas pêras em 1 copo de água filtrada com 5 ou 6 folhas de rúcula, quando as pêras estiverem macias pocesse tudo e tempere com sal e azeite, toste as amêndoas em frigideira para guarnecer a sopa quando servir em bowls individuais. Para o risoto, primeiro o caldo feito com alho e cebolas picados e refogados junto com as pontas mais duras da base dos caules de aspargos,acrescente água e sal, coe e reserve. Para o risoto arroz arbório, NÃO LAVE, é preciso manter o amido, refogue alho e cebola, junte o arroz, o caldo e água quente se for necessária, quando estiver próximo do cozimento coloque os talos de aspargos picados, depois 50 gramas de grana padano ralado e no fim ao invés da manteiga 2 a 3 colheres de sopa de brie, mas só o miolo sem a casca, se quiser pode acrescentar 1/2 copo de vinho branco ou champagne junto com o caldo, ou não, como diria Caetano...
A banana da sobremesa leva um corte ao comprido na casca, que uma vez aberta é regada com a mistura de suco, sal e canela e por cima o queijo ralado. Trés bom appétit e trés bon dimanche!
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
O feijão nosso de cada dia nos dai hoje...
Acordei saciada pelo feijão, farofinha, banana e couve que devorei no jantar (também!) e pronta para me debruçar sobre esse herói nacional, agora sem garfo e nem faca, recolhi o jornal distraídamente enquanto topava com o porteiro novo na porta. Bom dia breve e na intenção de apenas folhear abri o jornal numa página internacional que falava sobre a China atual, meu assunto do momento! Babei quando li Martin Jacques, autor de Quando a China Governar o Mundo, dizer que a China não é a ditadura que no ocidente imaginamos, porque se fosse assim o povo não seria tão conivente. Antes que pulem da cadeira me explico: o que acontece aqui é que ao entrarmos em contato com idéias diferentes das nossas temos uma dificil digestão, mas depois de tanta disgressão voltemos ao que interessa: feijão e pasmem...China....
Até abril deste ano 44% das 78,2 mil toneladas de feijão-preto importado pelo Brasil vieram da China,e me pergunto, que conta é essa? O feijão, orgulho nacional é parte da cesta básica e dobradinha de invencíveis PFs servidos nos bares e restaurantes do país afora, quando foi que sumiu e ninguém viu? É verdade que já há muito não produzimos o tanto que comemos, mas cá com meus botões pensei que quando muito vinha da Argentina, pois é, vem de muito mais longe atualmente... Sempre tenho medo de comidas que crescem longe dos nossos olhos, principalmente quando são cesta básica, e como dizia meu avô; " o que engorda o gado é o olho do dono" e quando o olho tá longe, o quê? Destesto circunflexos no quê e desconfio que nem sei usar, desconfio também de comida que vem de longe e precisa cair do galho antes da hora sem desenvolver propriedades necessárias para alimentar de verdade, com propriedade(s), com a desculpa insossa de baratear custos, é no mínimo esquisito num país que como já dizia Caminha, " que em se plantando tudo dá" a gente ter que importar.
Embora preferência nacional o feijão pode as vezes nos fazer ruborizar só de pensar nos gases que provoca e que nos fazem desistir, mas não precisa ser assim e nem é necessário comprar e consumir um transgênico colombiano que já vem com as fibras amaciadas para evitar constrangimento. Nas quintas feiras a feira orgânica do meu bairro oferece entre as muitas frutas, verduras e hortaliças frescas, feijão preto orgânico não transgênico. O quilo não é barato, R$10, mas vale cada grão que não sei se é diferente do oferecido nos supermercados ou se é apenas a quantidade de agrotóxico que faz a diferença, e eu que antes dele há anos já não comia feijão preto caio de garfo e até faca pra não deixar nada no prato. Uma pitadinha de cominho e de coentro fresco ou em grãos bem processados, gotinhas de molho inglês, pitadinha de tabasco e um nadica de mostarda em pó, sempre acompanhado de umas folhas de louro (as brancas asiáticas são um espetáculo!) dão gosto sensacional pra comer com arroz branco orgânico acompanhado de farofinha de alho, banana fatiada grelhada, regada a suco e raspa de laranjas e junto a isso uma couve refogada, et voilá um maná dos deuses pra ser saboreado no sábado! Pra quem gosta do sabor das carnes é só acrescentar um tofu defumado que faz as vezes dos embutidos sem decepcionar, eu daqui vou pro frio danado, assim que bon appétit para quem fica! Ah, nos sábados tem feirinha orgânica na Glória e acho que também na Lagoa do lado da igreja São José, bom final de semana!
Até abril deste ano 44% das 78,2 mil toneladas de feijão-preto importado pelo Brasil vieram da China,e me pergunto, que conta é essa? O feijão, orgulho nacional é parte da cesta básica e dobradinha de invencíveis PFs servidos nos bares e restaurantes do país afora, quando foi que sumiu e ninguém viu? É verdade que já há muito não produzimos o tanto que comemos, mas cá com meus botões pensei que quando muito vinha da Argentina, pois é, vem de muito mais longe atualmente... Sempre tenho medo de comidas que crescem longe dos nossos olhos, principalmente quando são cesta básica, e como dizia meu avô; " o que engorda o gado é o olho do dono" e quando o olho tá longe, o quê? Destesto circunflexos no quê e desconfio que nem sei usar, desconfio também de comida que vem de longe e precisa cair do galho antes da hora sem desenvolver propriedades necessárias para alimentar de verdade, com propriedade(s), com a desculpa insossa de baratear custos, é no mínimo esquisito num país que como já dizia Caminha, " que em se plantando tudo dá" a gente ter que importar.
Embora preferência nacional o feijão pode as vezes nos fazer ruborizar só de pensar nos gases que provoca e que nos fazem desistir, mas não precisa ser assim e nem é necessário comprar e consumir um transgênico colombiano que já vem com as fibras amaciadas para evitar constrangimento. Nas quintas feiras a feira orgânica do meu bairro oferece entre as muitas frutas, verduras e hortaliças frescas, feijão preto orgânico não transgênico. O quilo não é barato, R$10, mas vale cada grão que não sei se é diferente do oferecido nos supermercados ou se é apenas a quantidade de agrotóxico que faz a diferença, e eu que antes dele há anos já não comia feijão preto caio de garfo e até faca pra não deixar nada no prato. Uma pitadinha de cominho e de coentro fresco ou em grãos bem processados, gotinhas de molho inglês, pitadinha de tabasco e um nadica de mostarda em pó, sempre acompanhado de umas folhas de louro (as brancas asiáticas são um espetáculo!) dão gosto sensacional pra comer com arroz branco orgânico acompanhado de farofinha de alho, banana fatiada grelhada, regada a suco e raspa de laranjas e junto a isso uma couve refogada, et voilá um maná dos deuses pra ser saboreado no sábado! Pra quem gosta do sabor das carnes é só acrescentar um tofu defumado que faz as vezes dos embutidos sem decepcionar, eu daqui vou pro frio danado, assim que bon appétit para quem fica! Ah, nos sábados tem feirinha orgânica na Glória e acho que também na Lagoa do lado da igreja São José, bom final de semana!
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Cheguei da China com 11 horas de fusos que me fazem trocar a noite pelo dia, mas absolutamente encantada e cheia de manias boas. A viagem foi um patrocínio da British Airways para que a pesquisa do meu próximo livro fosse terminada, e fomos eu e minha fotógrafa favorita fazer letras e imagem, me aguardem! Sou suspeita para falar da China porque gosto de história, cinema, literatura e poesia chinesa, acho que dão um show em artes manuais, marciais e contemplativas e estando lá pude compreender e experienciar, embora 2 semanas não seja muito para tanto, o porque das muitas guinadas políticas nesse país que inventou quase tudo o que conhecemos e desfrutamos desde as letras escritas ao papel moeda e editorial até a tecnologia hidráulica, engenharia mecânica e a base tecnológica a partir da qual o mundo hoje funciona. Das manias as quais me apeguei, o chá assunto do livro e macarrão com shoyu (molho de soja) de dupla fermentação. O dia na China começa com um brunch um pouco mais consistente do que estamos habituados, e nele o macarrão (invenção chinesa exportada para Veneza por Marco Polo) é uma constante, os dim sum (pãezinhos recheados) vêm quentinhos e deliciosos, os consomês são saborosíssimos e o iogurte chinês é uma surpresa agradável e consistente que eles tomam com canudos. a isso se aliam sucos, saladas etc..etc...
Ontem a atriz Débora Nascimento , a Tessália de Avenida Brasil, deu uma entrevista no Jô contando dos 5 meses em que viveu na China, o que já faz um bom tempo, e muitas das coisas que ela relatou já não existem mais porque o país tem pressa e anda rápido, comprei um guia de Shanghai na Inglaterra que tinha 5 anos e aproximadamente 30% a 40% das informações já não procediam, muitos museus, galerias e restaurantes já tinham se mudado para Pudong, bairro perto do aeroporto internacional que cresce sem parar. A China não para, é como um cultivar onde crescem não moitas de chá, mas edificios e shoppings, a surpresa? Quase não se houve barulho, imaginem o matraquear incessante de máquinas num país onde a população já é maior que 1 bilhão e meio, seriam todos neuróticos, e não são. Andam devagar e falam baixinho no celular, em geral são gentis e solidários quando nas ruas ficamos perdidos sem que falem uma palavrica de nada ou consigam ler nossas letras estranhas, a geração por volta dos 20 começa a falar inglês e é de uma gentileza com a qual não estamos por aqui muito acostumados. Tínhamos ainda dinheiro suficiente para o táxi do centro de Hangzhou até a rodoviária, mas o melhor era tentar um banco, que já tinha encerrado o expediente, mas não a porta e o bancário solidário, um garoto de vinte e poucos se ofereceu para nos "emprestar" o dinheiro e negociar a corrida e/ou ir conosco até o destino final, longe do seu. Fez conosco um último tour numa das ruas de pedestres e vimos coberto por vidros os caminhos quase intactos da dinastia Tang sob nossos pés, outras estórias virão no livro, parecidas ou melhores que essa.
Espero muito conseguir uma bolsa para voltar para a China e me especializar na arte do chá, apenas uma das muitas delicadezas chinesas que com o tempo espero me aprofundar. Quanto aos bons vícios, o chá puer é um deles e o macarrão é integral com brócolis no alho e azeite, regado ao final por gotas de shoyu e não queijo ralado, uma delícia também substituindo por miojo, sem o pozinho, ou bifun (macarrão de arroz). Bon appétit et bonjour!
Ontem a atriz Débora Nascimento , a Tessália de Avenida Brasil, deu uma entrevista no Jô contando dos 5 meses em que viveu na China, o que já faz um bom tempo, e muitas das coisas que ela relatou já não existem mais porque o país tem pressa e anda rápido, comprei um guia de Shanghai na Inglaterra que tinha 5 anos e aproximadamente 30% a 40% das informações já não procediam, muitos museus, galerias e restaurantes já tinham se mudado para Pudong, bairro perto do aeroporto internacional que cresce sem parar. A China não para, é como um cultivar onde crescem não moitas de chá, mas edificios e shoppings, a surpresa? Quase não se houve barulho, imaginem o matraquear incessante de máquinas num país onde a população já é maior que 1 bilhão e meio, seriam todos neuróticos, e não são. Andam devagar e falam baixinho no celular, em geral são gentis e solidários quando nas ruas ficamos perdidos sem que falem uma palavrica de nada ou consigam ler nossas letras estranhas, a geração por volta dos 20 começa a falar inglês e é de uma gentileza com a qual não estamos por aqui muito acostumados. Tínhamos ainda dinheiro suficiente para o táxi do centro de Hangzhou até a rodoviária, mas o melhor era tentar um banco, que já tinha encerrado o expediente, mas não a porta e o bancário solidário, um garoto de vinte e poucos se ofereceu para nos "emprestar" o dinheiro e negociar a corrida e/ou ir conosco até o destino final, longe do seu. Fez conosco um último tour numa das ruas de pedestres e vimos coberto por vidros os caminhos quase intactos da dinastia Tang sob nossos pés, outras estórias virão no livro, parecidas ou melhores que essa.
Espero muito conseguir uma bolsa para voltar para a China e me especializar na arte do chá, apenas uma das muitas delicadezas chinesas que com o tempo espero me aprofundar. Quanto aos bons vícios, o chá puer é um deles e o macarrão é integral com brócolis no alho e azeite, regado ao final por gotas de shoyu e não queijo ralado, uma delícia também substituindo por miojo, sem o pozinho, ou bifun (macarrão de arroz). Bon appétit et bonjour!
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Appellation d'origine contrôlée
Digam o que disserem, mas em se tratando de honestos prazeres os franceses são o que há! Na França, patrimônio de orgulho nacional latícínios e vinhos são d'appellation d'origine contrôlée, que é uma forma de controle de produção que evita que se compre gato por lebre. Em se tratando de queijos (laticinios em geral) e vinhos tudo é devidamente mapeado e medido, cada terroir tem tantas parreiras que produzem tantos litros e cada vaca segue o mesmo mapeamento, assim nada leva um pouquinho mais daquilo ou um pouquinho menos do outro... Não quer ser appellation d'origine contrôlée? Pas de probléme, mas nada de rótulos, vire-se como puder!
Desde há séculos a comida produzida em solo frances é orgulho nacional e patrimônio cultural, diversas confrarias e marcas registradas, como é o caso da tarte tatin ou do champagne, dão aos franceses o que eles merecem: o título de experts dos sentidos, porque claro, não vamos nos esquecer dos perfumes que fazem parte dessa cadeia sensorial francesa, seja em vidros ou em pratos e nem dos filmes e canções que levaram as almas mais românticas a se debulharem entre uma e outra tragada de um puro gitane ou gauloise acomapanhado de um pichet de bordeaux num dos milhares de cafés e bistrôs do país. Mas como diz meu neto, nem sempre os contos terminam com " e foram felizes para sempre", assim as grandes marcas de turismo gastronômico invadiram a França e bom, a desconfiança passou a fazer parte do cardápio do dia. Os pequenos negócios tradicionais foram a bancarrota e os que insistiram em sobreviver foram se adaptando as novas regras de consumo absolutamente contrárias aos princípios da gastronomia francesa. Hordas de turistas viajando para respirar Paris, mas presas constantes dos Mac Donalds e Starbucks da vida abriram porteiras para um comércio insosso e pouco honesto que feriu fundo o orgulho nacional. Nada contra o turismo, mas a França não é só Louvre ou torre Eiffel, a França é acima de tudo um joie de vivre que está nessas pequenas jóias que só se encontram lá, reproduzidas aqui e acolá por poucos e grandes chefs franceses que fora de seu país nos dão imenso prazer em frequentar as mesas de sua casa e claro que não são prazeres baratos, mas arrancam suspiros inesquecíveis do fundo da alma que nos fazem crer que depois da primeira garfada já se pode morrer em paz e adentrar o reino dos céus sem escalas. Pois para a felicidade de todos que apreciamos a culinária francesa o governo se encheu de brios e colocou na mesa uma nova legislação pra gourmet nenhum botar defeito; a comida nos restaurantes franceses vai ter que contar ao que veio,e, de onde veio! Já no fim desse ano os restaurantes serão obrigados a informar a origem de seus alimentos deixando assim que seus clientes saibam se a comida servida é fresca ou congelada, se é preparada no estabeleimento ou se foi pré preparada em outro local, se a medida agradou a todos? É claro que não, mas para nós que respeitamos o alimento e de uma forma ou de outra fazemos dele nosso ganha pão, a medida é sensacional e deveria não apenas ser estendida para todos os países, mas defendida por todos os consumidores!
Há que se tirar mais uma vez o Toque Blanc (chapéu de chef) para a gastronomia francesa que não se rende ao mal gosto pouco saudável das grandes cadeias de fast food! Vive la France!
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