sábado, 12 de outubro de 2013
chefcordonvert: A descoberta do cha -Pan Ku e Nü Wa -
chefcordonvert: A descoberta do cha -Pan Ku e Nü Wa -: No principio era apenas o caos e a escuridão, o universo era um imenso ovo negro e abrigava em seu interior os princípios feminino ...
A descoberta do cha -Pan Ku e Nü Wa -
No principio era
apenas o caos e a escuridão, o universo era um imenso ovo negro e abrigava em
seu interior os princípios feminino e masculino e o espírito de Pan Ku que crescia e tornava-se
gigantesco. Por dezoito mil anos flutuaram ao sabor do tempo, até que Pan Ku despertou e vendo-se cercado pela
mais negra de todas as escuridões desfechou um golpe violento de machado rompendo
o ovo separando o Yin do Yang dando inicio a criação do mundo. O Yang, princípio
masculino mais denso e pesado caiu e formou a terra e o princípio feminino Yin mais
leve e etéreo subiu como um vapor e formou os céus. Pan Ku o gigante firmou no chão os pés e com a cabeça sustentou o céu,
e assim se manteve imóvel entre os dois até perceber que não mais se uniriam em
escuridão, então deitou na terra e morreu. De seu corpo emergiu um facho de luz
que fez com que seu olho esquerdo saindo da órbita rumasse na direção leste
criando o sol claro de todas as manhãs enquanto seu olho direto tomou a direção
oeste se transformando na lua e as noites ficaram menos escuras. Seu hálito deu
origem ao vento e sua voz forte criou o trovão, de seu corpo imenso levantaram-se
as montanhas do mundo e dos fluidos internos desaguaram rios e mares, dos pelos
rebeldes surgiram florestas e arbustos que salpicaram as matas e de seus dentes
e ossos minerais e pedras preciosas. Seu suor e lágrimas formaram o orvalho e a
chuva que se precipitaram sobre a terra enquanto minúsculos seres fugiam de seu
corpo para refugiar-se nas matas povoando as florestas. Seus músculos se
dissolveram fertilizando o solo que deu origem a Nü Wa, aquela que criou os homens, também chamada de Kuan Yin.
Certo dia caminhando
pela Terra observando as montanhas, florestas e animais Nü Wa sentiu-se estranhamente só e pela primeira vez percebeu que apesar
de rodeada de tantas belezas não tinha com quem conversar, então foi até a
beira de um rio e retirou uma porção de lama com a qual moldou uma pequena
criatura. Quando terminou e pousou a figura no chão ela ganhou vida e feliz com
o resultado Nü Wa tomou um cipó
desfiado que mergulhou no barro e sacudiu várias vezes, de cada uma das gotas
que se desprendeu da planta surgiu uma figura a quem chamou de humano, Nü Wa reproduziu centenas de humanos e satisfeita
descansou. Ao despertar e retomar suas andanças pelo mundo reparou que alguns
humanos haviam envelhecido enquanto outros jaziam inertes, percebeu que se
quisesse ver o mundo constantemente povoado não poderia jamais descansar, então
foi até o templo de Pan Ku e pediu permissão para que os humanos se
reproduzissem entre si e assim mantivessem a Terra populada.
Depois de Nü Wa vieram os senhores da Terra; Fu Hsi o Pai da Escrita e primeiro imperador
da China que deu início a pesca e a caça e Shenung
o Divino Lavrador, imperador que criou a agricultura, a medicina e descobriu o
chá.
(extrato do livro Viagem ao Mundo do Cha-TaoTe Cha )
domingo, 8 de setembro de 2013
Ah biscoitos......
Do latim biscoctu, que significa duplamente cozido os biscoitos foram em algum momento confeccionados com pedaços de bolo que postos para assar uma segunda vez ficaram crocantes, mas essa não é a receita original cujo crédito parece ser persa, ainda que haja evidências de biscoitos mais antigos produzidos na China, India e África.
Os biscoitos foram inicialmente produzidos com farinha rústica e cereais, em alguns países eram acrescentadas nozes e frutas ou mel para adoçá-los, de fácil transporte e alimentício eram favoritos entre os tripulantes das naus portuguesas que se deslocavam para o novo mundo entre os séculos XV e XVI , o padre Raphael Bluteau refere-se a eles no seu Vocabulário português e latino, como pães do mar. A cada marujo ou soldado cabia na época o equivalente a 28 arrateis (1 arratel= 428 gramas) de biscoitos como ração mensal.
Aquilo que foi concebido como pão pelos povos antigos e cuja confecção era basicamente uma mistura de grãos e água era dura de engolir, mas foi o provável protótipo dos primeiros biscoitos que nas mãos dos egípcios ganharam desenhos e formatos variados além de ostentarem marcas especiais quando dedicados a aristocatas, a fabricação era trabalho de escravos contratados por períodos de horas ou mesmo semanas para produzi-los e a arte passada de pai para filho.
A primeira receita documentada de biscoito foi encontrada no século XVIII pelo erudito Amadio Baldanzi num antigo manuscrito hoje preservado na cidade de Prato, Itália, era a primeira receita dos famosos biscotti di Prato que na moderna Itália são conhecidos como cantuccini, muito secos tradicionalmente vêm acompanhados por uma bebida na qual são mergulhados, na Itália são servidos como sobremesa depois de farto jantar acompanhados de uma aguardente toscana chamada vinho santo, fora da Itália, no entanto, os cantuccini acompanham cafés e chás.
Em meados do século XVII o biscoito era um sucesso na Europa e com o evento de novas refeições a Inglaterra criou um mercado não apenas produtor, mas consumidor; foram fabricados no país biscoitos para todos os gostos e cujo excedente era exportado para as colônias. Como colônia ainda não industrializada os Estados Unidos não tinham maquinário para fabrico próprio, mas perceberam rapidamente que o consumo interno valia a importação de máquinas inglesas e aos poucos os americanos não apenas produziram peças para reposição, mas criaram suas próprias máquinas formando uma das mais ricas e poderosas indústrias americanas e assim o biscuit inglês foi rebatizado de cookie (do holandês koekie ou bolinho). Os biscoitos se confundem com a história da confeitaria desde os primeiros registros doces, embora para os padrões atuais nem fossem muito doces, chegaram a Europa durante a conquista muçulmana da Espanha e da cozinha real pularam para o tabuleiro dos ambulantes e depois para\as grandes fabricas.
O biscoito como o conhecemos formulado com manteiga, açúcar, cremes e flavorizantes só apareceu no século XVIII e apenas em 1875 o primeiro cortador metálico foi criado e patenteado por Alexander Ashbourne, o que revolucionou a indústria de biscoitos que passou a fabricar e distribuir em larga escala.
Conta-se que o biscoito da sorte nasceu no período em que a China foi invadida pelos mongóis. Durante a luta pela libertação os chineses teriam criado grandes biscoitos na forma de meia lua dentro dos quais seriam colocados mapas e mensagens a serem trocados entre generais articuladores da libertação chinesa e que tempos mais tarde o biscoito, apesar da mudança na forma, teria se tornado uma tradição para lembrar o povo chinês de sua luta e consequente libertação do domínio de Gengis Khan e seu exército.
A verdade é que apesar da bonita lenda os biscoitos foram criados em 1909 na Califórnia, mais precisamente em São Francisco, pelo imigrante japonês Makoto Hagiwara dono de uma casa de chá, como uma inovação criativa para oferecer a seus clientes.
Fortune Cookies (biscoitos da sorte chineses)
Ingredientes:
3/4 xc de farinha de trigo
½ xc de manteiga derretida
1 xc de açúcar de confeiteiro
1 pitada de sal
3 claras ligeiramente batidas
½ cl de chá de extrato de baunilha
½ cl de chá de extrato de amêndoas
tiras de papel com mensagens
Preparo:
Forno a 180º C. Com fouet (batedor de arame) misture todos os ingredientes até obter uma massa homogênea e consistente. Os biscoitos devem ser feitos individualmente ou no máximo dois por vez, porque o formato se consegue com a massa morna, quase quente, e são dobrados com o uso de luvas. Use papel manteiga sobre forma ou manta de silicone e com uma colher de chá faça círculos de aproximadamente 10 cm. Asse por 4 ou 5 minutos ou até que os biscoitos estejam dourados por inteiro, retire com uma espátula, coloque a tirinha e dobre o biscoito em formato de pastel, depois aproxime as duas pontas. Se quiser que fiquem brilhantes, passe os biscoitos como o auxílio de pinça culinária em uma mistura de clara em neve batida com açúcar de confeiteiro.
sábado, 31 de agosto de 2013
A história dos sanduiches
O chá da tarde inglês
como a maioria dos eventos tradicionais foi recebendo releituras ao longo do
tempo já que a culinária ligada ao fruto das descobertas foi sempre exagerada
no uso de ingredientes por ser entre outras coisas um peso capaz de avaliar o
poder e riqueza de uma casa, mas para os
padrões das gerações posteriores tudo vinha com excessos a serem repensados. A
comida reflete a economia, a estratificação social e a política de um estado em
sociedades que livres de maiores percalços diários investem na sofisticação do
seu cotidiano e assim, diferentemente do que talvez imaginemos a comida é uma cronista
fiel da cronologia das civilizações e os livros de receitas verdadeiros
inventários de uma sociedade. Depois da descoberta do fogo os homens deixaram
de consumir os alimentos in natura
dando início ao processo do cozimento e documentaram essas primeiras
experiências nas paredes das cavernas onde viviam; mais tarde com o evento da
escrita registros de receitas foram feitos em placas de argila e o primeiro de
que se tem notícia data do ano 350 a.C e foi escrito pelo grego-siciliano
Archestratus. Hedypatheia fala pela primeira vez do conceito de
gastronomia, a palavra é de origem grega e significa; gaster/estômago e
nomos/conhecimento, de lá para cá foram vários os tipos de publicações que
aumentam a cada dia tratando do assunto comida, foram várias também as
invenções e os utensílios fabricados para facilitar a vida dos encarregados
pela cozinha de uma casa ou comércio, e uma dessas invenções que apareceu
muitos anos depois do evento chá da tarde, mas que beneficiou imensamente tanto
restaurantes como donas de casa foi uma corriqueirissima máquina de fatiar pão,
para os padrões tecnológicos atuais, crida por Otto Frederick Rohwedder em 1928
que criou um impacto comercial fabuloso na venda de pães e sanduiches.
O nobre John Montagu
conde da cidade de Sandwich não foi exatamente uma figura popular no tempo em
que viveu (1718-1792), mas seu nome chegou até os dias de hoje graças ao lanche
que inventou em uma de suas noites de jogatina. Para não se afastar da mesa de
apostas pediu ao garçom da casa que trouxesse duas fatias de pão e uma de
rosbife e foi simplesmente assim que surgiu o lanche mais conhecido de que se
tem notícia; o sanduiche!
Os
sanduíches
Os sanduíches servidos
no chá da tarde são tradicionalmente frios e preparados em pão de forma brancos
porque na época em que o chá da tarde foi concebido a farinha branca refinada
era mais cara e, portanto, sua utilização mais do que sabor visava status, o
que não impede que ao longo dos anos novidades
apareçam nos cardápios na forma de pães integrais e outros e que podem ser
confeccionados em casa, comprados em lojas de produtos naturais ou nos
supermercados de bairro, mas é preciso cuidado para que sabor do pão não
interfira no do recheio, o ideal é que fiquem perfeitamente equilibrados e que
todos os sabores possam ser percebidos a cada mordida. Os sanduíches devem ser
pequenos e delicados, cortados ao meio ou em quartos e arrumados de maneira
harmônica numa torre de doces de três andares ou servidos em pratos individuais
e para que permaneçam frescos pode-se envolvê-los em um pano de prato limpo de
algodão levemente umedecido ou cobri-los com papel filme; depois de cortados os
pães de forma ressecam rapidamente e, por isso o ideal é consumi-los até três
horas depois de preparados.
Sanduíche de
pepinos
Ingredientes:
Fatias de pão de forma
tipo Graham (prefira os já descascados)
1 a 2 pepinos japoneses
(sem sementes)
1 pote de queijo
aerado cremoso tipo boursin
2 ou3 galhos de cebolinha
picada
Preparo:
Lave bem e fatie com a
casaca os pepinos finamente na processadora. Retire a casca do pão tendo o
cuidado para que as fatias fiquem simétricas e se equilibrem bem, faça poucas
de cada vez. Misture bem o queijo a cebolinha picada e passe a mistura em cada
fatia de pão, disponha o pepino (que só deve ser acrescentado praticamente na
hora de servir porque cria muita água e molha o pão) sobre cada fatia como se
fosse uma escama de peixe, cubra com outra fatia e corte ao meio ou em quartos.
Sirva em pratos individuais gaurnecidos com um pequeno galho de salsa troncuda
ou cerefólio A mistura do queijo pode permanecer na geladeira pelo tempo de
validade do próprio queijo se houver sobra.
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