sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Plantando orgânico em vaso para consumo pessoal

Quando faço palestras ou dou aulas respeito a opção alimentar de cada um e apenas quando perguntada discorro sobre o assunto carne. Claro que privilegio sempre os produtos vegetarianos/orgânicos por ser uma chef cordon vert convicta e por acreditar que devemos dar uma chance ao novo, nem que seja para dizer que não gostamos. Pessoalmente sei que carnes não fazem bem a ninguém, mas acho que cabe a cada um entender que elas não fazem falta numa dieta equilibrada. Pesquiso muito há muitos anos sobre o efeito da alimentação no corpo humano e usando a mim mesma como cobaia percebo como a inclusão de orgânicos mudou radicalmente meu estado geral, tudo o que posso consumir de orgânicos troco sem pensar duas vezes.
Os orgânicos vêm barateando não apenas porque o consumo vem aumentando, mas porque passado o primeiro estágio de se preparar e implementar canteiros de cultura orgânica o custo diminui e o preço do produto cai. Medir o custo/beneficio obtido por uma alimentação sem agrotóxico talvez seja uma conta que muitos ainda não tenhamos posto na ponta do lápis, a verdade é que existem venenos que permanecem em nossa corrente sanguínea e vão se instalando em pequenos depósitos sem serem expelidos, alguns suspeitos inclusive, de serem causadores/coadjuvantes de mal de Alzeheimer e doença de Parkinson. Um teste simples para medir a toxidade de um alimento é comprar um orgânico e um não e deixar os dois expostos para ver qual não vai atrair insetos, e se insetos não querem um alimento é porque ele não está bom, a natureza tem uma sabedoria sutil que discerne o venenoso e o saudável, acho que deve ser um caso raro um animal que em seu habitat próprio se envenene com o que coma, já entre nós isso é caso comum e diário, afinal nosso corpo traduz em seus contornos internos e externos aquilo que comemos.
Bom, tudo isso foi para dizer que parece trabalhoso, mas não é, plantar em vasos uma pequena horta doméstica orgânica, e se o espaço é pequeno as sapateiras de pendurar de plástico fazem um bom serviço desde que tenham orifícios para escoar água, é só pendurar em lugar que bata sol ou pelo menos alguma luz.
Evitar comprar tomates, pimentões e morangos entre os muitos outros vegetais que contêm agrotóxico pesados pode afastar umas quantas mazelas que se não são sentidas imediatamente vão mais tarde cobrar seu preço. Para plantar os dois primeiros basta retirar as sementes, lavar e deixar secar em papel toalha e depois usar vaso ou cantoneira. Existem alguns lugares que vendem terra orgânica para hortas, alguns hortos também vendem terra limpa e assim você tem em abundância alguns orgânicos ao alcance de sua mão. Minha horta pequenina vem dando frutos e já tenho tomates quase despontando, cúrcuma e hortelã perfumadíssimas e agora cebolinhas, vão crescendo aos poucos e vou lançando mão deles na minha culinária diária.
Aqui segue um dos muitos endereços encontráveis na internet para começar um horta orgânica, evitem apenas o papel alumínio em sua cozinha prefiram o papel manteiga para evitar o contato da comida com alumínio, e coragem! Fazer uma horta é super fácil!


http://www.youtube.com/watch?v=TATbyhqkVAA

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Comidinha rápida para fim de noite frio

Terminando o dia cansativo com uma comidinha rápida e super saborosa acompanhada de vinho bordeaux Chateau de Garguille

Sopa cremosa de legumes japoneses orgânicos para yaksoba

Ingredientes:
1 prato de legumes japoneses para yaksoba (vendido pronto)
4 dentes grandes de alho
½ cebola
3 cls de sopa de azeite
2 copos de água
sal
40 ml de leite de baixa lactose

Preparo:
Pique bem o alho e a cebola e refogue com os legumes, acrescente a água e o sal, tampe a panela e cozinhe em fogo brando por 15/20 minutos, processe tudo com o leite e sirva quente.

Talharim grano duro com funghi shitake e azeite de trufas brancas

Ingredientes:
½ pacote de talharim grano duro
50 gr de funghi shitake desidratado
lascas de grana padano
azeite de trufas brancas
1 maço pequeno de brócolis cozido no vapor

Preparo:
Coloque o shitake na água do talharim e cozinhe a massa de acordo com as instruções. Depois de pronto regue com um fio de azeite, acrescente o brócolis e guarneça com o grana padano.

E para terminar uma infusão feita com 3 ou 4 fatias bem finas de pêra descascada acompanhada de uma metade de um talo de canela.
Trés bom appétit!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Doce que não engorda

Carboidratos, fibras, vitaminas e minerais ficam mais concentrados nas frutas secas e a mistura delas reidratadas, com 1 ou 2 pauzinhos de canela, 1 cravo,1 pitadinha de sal ou 1 pacotinho de açúcar orgânico já produzem uma sobremesa docinha que pode morar na geladeira por um longo tempo saciando aquela fome de doce que ataca de vez em quando e deixa resultados amargos e dobras sem fim no corpo da gente.
Pode-se usar apenas uma ou a mistura de várias frutas secas e também frescas e acrescentar ao aferventar 1 ou 2 colheres de sopa de vinho do porto ou 1 de vinho branco de colheita tardia e para acompanhar um sorvete de creme talvez ao conhaque ou então rechear massa folheada ou massa filo ou tartelettes simplesmente. Vão bem nas saladas de frutas ou acompanhando pratos salgados, ficam deliciosas misturadas a queijo cremoso de cabra e produzem uma farofa poderosa! Ficam lindas se bem arrumadas dentro de gelatinas semi-transparentes ou usadas em receitas de crumble, quentinhas.
Secas como a gente compra muitas vezes causam gases, mas levemente cozidas são de fácil digestão. São as precursoras das barrinhas atuais com a possível vantagem de serem mais alimentícias e naturais, sem os tantos aditivos que ocupam quase um rótulo inteiro. A forma de compota foi a maneira que nossos ancestrais, predominantemente nos climas frios, encontraram de conservar o excedente da colheita de frutas e ter alimento saudável ao longo do ano.O açúcar não era um produto barato como hoje, e como a maioria dos alimentos/condimentos inacessíveis trazidos de além mar era vendido a preço de ouro pelos descobridores europeus; primeiro foi usado como remédio freqüentando as casas reais apenas e depois a preços menores como adoçante regular. No caso do açúcar de cana brasileira terminou saindo mais barato levar da colônia que usava mão de obra escrava para moagem e refino do que fazer uso do açúcar de beterraba produzido na Europa de custo altíssimo para a extração e com potencial adoçante bastante inferior. Assim, na falta de açúcar propriamente dito as manhas para a produção de compotas eram segredos passados de mãe para filha que conheciam as propriedades adoçantes de algumas frutas e legumes e a técnica, hoje tão banal, para que a compota não embolorasse, azedasse ou apodrecesse guardada por mais de uma temporada em dispensa fechada. Somos aquilo que ingerimos, sem qualquer sombra de dúvidas e instintivamente sabemos o que é mais saudável e melhor para nós o que não significa abrir mão do sabor senão às vezes moderar um pouco o excesso, e se açúcar é preciso eu recomendo o Native orgânico, dá uma olhadinha no site http://www.nativealimentos.com.br/, bom fim de semana!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

As estrelas do Michelin

O dia começou com uma neblina grossa e surpreendente para a época do ano, o fog tomou conta da cidade, mas algumas horas depois o sol abriu e soprou uma brisa apenas fresca. De repente depois do primeiro frio da manhã uma emergência em despir toda a lã sobreposta e desnecessária e aproveitar o outono quase quente com uma floração primaveril tardia. Kings Road é a meta e o The Botanist o restaurante. Já escrevi no blog sobre ele, sacrilegamente nos últimos tempos foi guardado numa segunda gaveta e substituído pela vã função de novas aventuras gastronômicas em Londres.
A distância às vezes faz coisas que o paladar agradece, e assim depois das últimas frustrações o retorno foi necessário e pródigo confirmando que adentrávamos um restaurante de verdade, desses onde da água ao café nenhuma vírgula pode ser acrescentada, tudo no lugar certo, na hora certa, de paladar correto e apurado e visual irretocável.
Se tem estrelas do Michelin eu não sei, e prefiro nem perguntar porque os dois últimos estrelados onde comi custaram muito dinheiro e não me disseram absolutamente nada, fiquei envergonhada de comentar afinal entre minha opinião e as estrelas Michelin...
Eu vegetariana me fartei num creme quase espuma de aipo trufado regado com um fio de azeite de trufas e em seguida comi uma salada quente de girolles com mini cenouras, parsnips (que são parentes da cenoura embora brancos) laminados e fritos em pouquíssimo óleo, rabanetes cozidos no vapor em tempero muito suave e castanhas levemente açucaradas. De sobremesa uma esponja de figos com levíssimo creme caramelo e tudo regado a Chardonnay do sul da França estupidamente gelado. Degustação feita em companhia de minha amiga Daniela, muito elegante, que gemia enquanto comia um risoto de frutos do mar al dente acompanhado de lulas crocantes em parmesão que não provei, mas pude ver o bonito conjunto e sentir o aroma do prato, além, é claro, de escutar seus ais durante todo o almoço! De sobremesa ela pediu um petit gateau recheado de frutas vermelhas acompanhado de sorvete artesanal de morangos envolto em finíssimo biscotti. A conta foi bastante razoável, o serviço impecável e o expresso bem quente, o que atualmente é raro, já que muitas máquinas mais modernas se recusam a “queimar” o pó do café com água excessivamente quente. Saindo de lá uma passada imprescindível pelo mercado gourmet do Harvey Nichols, vontade de levar todas as novidades não faltou, mas me bastou um vidrinho de azeite de trufas brancas que estão na estação e levantam o moral até mesmo de um simples miojo quentinho.
Bom depois de um mês batendo perna à porta de mesas estreladas Michelin que me perdoe, mas vou ser bastante mais parcimoniosa na hora de contar estrelas, dito isso eu e Daniela já temos almoço agendado em Niterói no restaurante do museu, comi uma vez lá logo depois que abriu e gostei muito de tudo o que vi e comi.
Dou notícias durante a semana e alguma receita legal! Bon appetit!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Palestra do dia 19/10

“Criado o primeiro homem, levou-o Deus a passear entre as arvores e lhe disse: observa as obras que criei, vê como são belas! Procura não pecar e não destruir o mundo que fiz. Pois se vieres a estragar algo, não haverá quem conserte. (Talmude)


Não apenas belas e nem apenas alimentícias, o que brota da terra não é apenas matéria para nos alimentar, mas também farmácia para nos curar. A natureza é sabia e produz em cada estação aquilo que nosso corpo precisa para se manter saudável. No inverno os alimentos são mais escuros, saem debaixo da terra, as raízes trazem do solo calor para nos aquecer e as hortaliças como a salsa, coentro, couve manteiga, repolho são ricos em vitamina C e sais minerais para nos proteger de gripes assim como a laranja, tangerina, morango, uvas e bananas que são abundantes no inverno. No Brasil quase tudo cresce em quase todas as estações, como por exemplo, as bananas, laranjas e tangerinas também as batatas, cenouras, abóboras entre outros. No frio é a vez dos alimentos com menos água, as frutas e legumes com muita água e cor brotam no calor pra matar a nossa sede e amenizar a temperatura do corpo e ajustar o termostato. Na hora de comprar, compre o que está barato, porque se tem muito está na safra e se está na safra menos veneno é usado.
O veneno usado para matar bicho de lavoura vai ficando na gente e o alimento que era para fazer parte da farmácia natural, embora ainda funcione como tal, tem um “efeito colateral” acrescentado, o veneno, então o bom é procurar comprar de quem planta pouco, porque remédio de lavoura é caro e quem vende menos não pode se dar a esse luxo. É bom também fazer compra no fim da feira porque com o tempo que fica no tabuleiro ao sabor do sol, o legume, a fruta e a verdura dão uma espreguiçada da viagem. Tudo que vem de mais longe de onde a gente mora é colhido antes da hora, antes de estar completamente maduro e aí não desenvolve o potencial necessário, ao invés de farmácia inteira fica só meia farmácia, mas ainda tá valendo!
Nós como civilização, estamos divididos em antes e depois da descoberta do fogo. Descobrir o fogo significou não apenas se aquecer durante as estações frias ou iluminar caminhos à noite ou manter animais afastados do sono dos homens, significou cozinhar! E cozinhar mudou a vida dos homens que se até ali eram nômades, deixaram de apenas acampar para fincar raízes, plantar e criar animais e produzir os primeiros utensílios de cama e mesa, e assim desde essa época, cozinheiros e artesãos foram sempre muito valorizados. E vai daí que pequenos povoados foram aparecendo e com eles novos alimentos também.
A coalhada, por exemplo, foi descoberta por acaso. O leite ordenhado e levado no lombo dos camelos em potes de barro para ser bebido durante as viagens talhava debaixo de tanto calor e de tanta estrada e era tomado assim, coalhado, e com o passar do tempo e algumas pesquisas foi descoberto que era um alimento excelente e barato. Do leite foram aparecendo os derivados: manteiga, queijo e iogurte. Já a margarina, não tem uma gota de leite nela e nem somra de parentesco com ele e pior,é comparada ao plástico, a fórmula é bem parecida, a diferença entre os dois é de apenas uma molécula. Se você deixar a margarina fora da geladeira durante semanas ela nem apodrece, nem atrai bichos e nem cheira mal. A margarina foi criada na França, num concurso durante um período em que leite era racionado e obrigatoriamente tinha a cor branca para ser diferenciada da manteiga, além de ter preço muito mais barato, mas não faz bem a saúde, na verdade ela é a tal da gordura hidrogenada, a que faz mal, a gordura saturada. Manteiga é um alimento bom, mas precisa ser consumido com moderação, não se escuta dizer que o povo francês morre muito de doenças relacionadas com gordura e eles são seguramente os maiores produtores e consumidores de laticínios do mundo. Pronto, de volta a farmácia! Comida e remédio precisam de moderação, então a gente não exagera nem no sal e nem no açúcar, evita comida em conserva, conserva vem de conservante que além de sal e açúcar e gordura em excesso pode significar ainda corantes e outros aditivos que não fazem muito bem a saúde. Sal em excesso impede a urina de fluir e fica no sangue, fazendo pequenos depósitos aqui e ali, numa poupança que não é muito boa porque vai impedindo o sangue de andar livre pelo corpo, o açúcar e as gorduras em excesso também não dão passagem. Pode-se comer de quase tudo um pouco, e é um bom hábito aprender a ler os rótulos. Não entendeu alguma coisa? Procure informação, ajuda de quem sabe, a gente evita muita doença quando conhece aquilo que come. É bom também botar na ponta do lápis o que se gasta com alimento, se por acaso usamos alimentos empacotados ou enlatados a conta aqui é diferente, o excesso de gorduras e conservantes vai significar dias, semanas, meses e até anos roubados da nossa vida e para isso é preciso acertar a contabilidade rapidamente antes que fique muito caro. A gente vive com pressa, vive cansado e infelizmente se alimentar mal agrega menos saúde e mais mal estar e mais cansaço que vira mais mal estar e mais cansaço, até que tudo junto vira doença, somos definitivamente aquilo que comemos! Nossa saúde e nossa doença dependem mais dos alimentos que escolhemos do que imaginamos, vivemos cada dia mais para comer do que comemos para viver e assim adoecemos matando a fome com biscoitos recheados e salgados empacotados, sempre com pressa, comendo distraidamente e sem nos darmos conta de quão pouco cuidado dedicamos aos únicos bens verdadeiros que temos: vida e saúde. Muitos de nós gastamos horas cuidando da aparência sem dedicar tempo necessário para a escolha e preparo adequado dos alimentos, mas o que aparentamos por fora tem tudo a ver com o que colocamos para dentro. Vale à pena investir em panelas que peçam menos gordura na hora do preparo, vale à pena servir um prato com alimentos de muitas cores, legumes e verduras de preferência pouco cozidos sobre banho-maria, salpicados com pouco sal e ervas frescas picadas. Fazer uma hortinha em casa ocupa pouco espaço e garante uma alimentação mais saborosa e saudável, eu já vi hortas suspensas feitas em porta- sapatos plásticos com furinhos embaixo, pendurados em lugar que tenha sol e não requer talento especial e nem dá muito trabalho, sol e água dão conta do recado. Tomates, por exemplo, que levam veneno pesado, podem ser plantados em vaso sendo os mais práticos os pequenos: retira-se as sementes para serem secas, primeiro com papel toalha e depois arejando em local fresco e claro, aí é só plantar em vaso, o resultado é uma planta ornamental bonitinha e tomates bem doces e livres de agrotóxicos.
Vivemos no século da pressa e a pressa é inimiga da refeição. Se Deus aparecesse hoje no supermercado com certeza a maçã não seria a vítima da proibição desse século, mas os salgadinhos, os enlatados, refrigerantes e doces industrializados.
O que faz um alimento ficar conservado é açúcar, gordura e sal que se usados em excesso vão minando gradativamente a saúde. Leia o rótulo dos alimentos como quem lê a bula de um remédio, porque no fim é isso o que os alimentos são, instrumentos de cura e bem estar e dito isso, não significa que tenham que ser feios ou sem graça, o que precisam é de nosso interesse para serem saudáveis e saborosos. Beber bastante água, água pura sem mistura, limpa aquele alimento que talvez não seja tão bom para o nosso organismo.
Acrescentar frutas cítricas na dieta diária ajuda a limpar nossos canais, não é fato que usamos o limão para retirar gorduras e para limpar o cobre, a prata e o bronze? Então beber limonada que é boa e barata é bom para o nosso corpo, limpa as gorduras, aumenta a resistência e ainda ajuda a afastar muco e gripe que muitas vezes são obra de intolerância alimentar ou resultado de excessos que derrubam a imunidade.
Educação alimentar é sempre melhor que remédio, procurar informação sobre o que se come e atualizar o que diziam nossas mães e avós não se perde no tempo.
A modernidade trouxe muitos benefícios,mas como toda mudança,efeitos colaterais que apenas o tempo irá, tomara, ajustar.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Batata foi elevada a categoria de alimento super nutritivo

Eu por exemplo não me surpreendo e fico super à vontade com o fato de sempre ter sido defensora e consumidora de batatas, e não entendo porque depois de milênios freqüentando nossas mesas só agora estudos reconheçam seu valor. De origem peruana, dos altos Andes onde qualquer esforço a mais significa um excesso verdadeiro, manteve essas populações bem alimentadas e protegidas de forma acessível.
Rica em vitamina C, a batata é o vegetal mais rico em potássio do planeta, para que serve potássio? Principalmente para manter o coração funcionando bem e manter o corpo hidratado, quer mais do que isso? Tem mais, é só pesquisar.
O que engorda na batata? Tudo que não é batata, fritura, molhos, gorduras,queijos e os diversos aditivos para sabor e conservação adicionados quando são industrializadas.
Um pacote de batatas fritas comprado no supermercado tem “embutido” aproximadamente 70 ml de gorduras em seu preparo, imagine o esforço e tempo despendidos numa engrenagem que tem que funcionar com excesso de graxa, pois assim se sente nosso organismo cada vez que uma carga de gordura excessiva é ingerida. Mas a batata mesmo, pobre, pobre em gorduras,o que não quer dizer que possa ser ingerida em excesso, aliás nada em excesso é bom sabemos todos por experiência própria, mas porque insistimos? Força do hábito de ingerir indiscriminadamente aquilo que parece ser mais fácil e dá menos trabalho, porém esse trabalho dá frutos a médio e longo prazo,assim como as “comidas fáceis” também! Não é possível manter uma dieta baseada em excesso de sal, açúcar, farinhas e gordura animal sem pagar um preço alto por isso, mas isso todos nós sabemos não é mesmo, mas colocamos em prática? Talvez porque diferentemente de nossos ancestrais que conheciam o poder medicinal dos alimentos, nós acreditamos em remédios que aparentemente curam mais rapidamente e que mesmo tomados conforme prescrição nem sempre curam e às vezes deixam rastros de efeitos colaterais além do que precisam a priori “ter “uma doença para curar, sejamos mais rápidos, evitemos...
Eu acredito firmemente que quem cozinha precisa entender de alimentos, conhecer as combinações e misturas, a durabilidade e a utilização sazonal para manter a saúde de quem come, de quem produz e do solo produtor, a interação quebrada é a falta de saúde generalizada que presenciamos hoje, então viva a batata!
Durante a segunda guerra na Inglaterra o racionamento de comida foi bem apertado e um amigo meu, David Howard, foi praticamente alimentado com batatas, e claro que só batata é muito pouco e a desnutrição deixou marcas nele mais tarde, uma das receitas que me ensinou foi essa:

Cascas de batatas assadas com iogurte temperado
(para essa receita o ideal é usar as orgânicas porque os defensivos agrícolas se instalam nas cascas)

Ingredientes para assar as batatas:

cascas de batatas bem lavadas
papel manteiga
pouco azeite
sal
orégano para temperar

Preparo:

Seque bem as casacas, forre uma forma com papel manteiga, pincele com azeite e disponha as cascas e tempere com sal e orégano, forno quente por 15/20 minutos.


Ingredientes para o iogurte temperado:

1 copo de iogurte natural
um punhado generoso de cebolinha e salsa
sal a gosto

Preparo:

misture tudo e utilize

sábado, 24 de setembro de 2011

Almoço no Dinner de heston Blumenthal

Há privilégios que devem ser obrigatoriamente reconhecidos e estar em Londres ainda mais com improváveis 24º a essa época do ano merece reconhecimento profundo.
Andar num dia quente e ensolarado assim por Notting Hill Gate e flanar pelo mercado de antiguidades na Portobello Rd. preçando aqui e ali alguma prataria ou louça antiga é um passeio muito especial, mesmo para quem volta e meia pode se dar ao luxo. Digamos que flanar não foi bem o que fiz já que não deixei de controlar o relógio a cada tanto e quase me atraso para o almoço, na verdade o compromisso para o qual eu estava ansiosa de verdade desde cedo. Almoço no Mandarin Hotel, no Dinner de Heston Blumenthal. O Mandarin tem mais estrelas que o céu sobre ele e o Dinner, que reabriu há uns dois dias é cria de Blumenthal e de seu chef executivo Ashley Palmer-Watts, tem como carro chefe a releitura de pratos da antiga gastronomia inglesa.
Muitos drinques numa carta farta, vinho branco Bordeaux estupidamente gelado e excelente e cardápio enxuto com o que a culinária britânica sempre considerou la créme de sua gastronomia, caça! Por isso mesmo quando há um mês fiz a reserva frisei minha preferência vegetariana e para minha surpresa o cardápio está preparado para esse tipo de mudança. Na cozinha pude ver através do vidro pelo menos 5 pessoas cozinhando, assim que o Salamungundy uma salada originalmente feita com coração defumado de vitelo, beterraba e rabanete no vapor, teve o coração de vitelo substituído pelo da alcachofra e o prato principal não precisou de retoques, foi aipo grelhado com pickles de nozes, maçã e cebolas. De sobremesa chocolat bar com sorvete de gengibre que unindo sabores tão fortes imaginei que fosse uma sobremesa pujante e cheia de personalidade, mas gostei muito do biscoito de alcarávia que acompanhou o café.
Enfim o dia foi longo e farto de surpresas e apesar da hora tardia ainda há uma pequenina luz no horizonte, mas o corpo pede cama, assim que uma boa noite a todos e bom fim de semana.