sexta-feira, 15 de abril de 2011

O pão nosso de cada dia

Surgiu possivelmente na Mesopotâmia (atual Iraque) junto com o plantio de trigo. Acredita-se que na época era consumido numa mistura de trigo e outros cereais e que depois virou mingau e mais tarde possivelmente um pão muito duro e amargo que passava por diversas lavagens (refino muito primitivo) para diminuir um pouco de seu amargor antes de ser levado para secar ao sol e depois ser assado, com certeza um pão muito pesado e de difícil digestão.
Do pão que o diabo amassou ao ‘se não têm pão que comam brioche’ são muitos os provérbios proferidos e inventados e é possível mesmo retratar períodos históricos quase com precisão pelo tipo de linguagem e valores utilizados na associação do pão com a vida cotidiana. Os tipos de cereais usados, a forma de fermentação, a modelagem e os tantos implementos utilizados na confecção de pães falam da ‘evolução’ de sociedades através dos tempos. O pão nosso de cada dia é quase um cronista social no sentido de relator de costumes.
Como hoje é sexta-feira, véspera de sábado queria falar um pouco de um pão de sexta-feira ou shabat, a Chalá.
O pão relata a estória do povo judaico desde os primórdios e com freqüência é usado para se referir a alimento em vários trechos da Torá (Pentateuco).
A Chalá do Shabat é uma representação de dois milagres: o milagre do Maná que é evocado quando faz-se a bênção sobre duas Chalot inteiras; enquanto que o intricado número de tranças de cada Chalá - seis, perfazendo um total de doze- traz à memória o milagre dos pães no Templo.
O milagre do maná diário aconteceu quando os judeus se encontravam no deserto, depois de deixarem o Egito. Não havia o que comer além do pequeno suprimento de pão ázimo (matzá) que conseguiram guardar às pressas antes de fugirem e que não durou muito. Reza que D’us então mandou todas as noites uma porção individual de Maná do céu, na forma de pequenas gotas de orvalho e que ao amanhecer quando eram recolhidas pareciam estar ‘ensacadas’, daí o costume da chalá ser colocada em um prato e depois coberta. Na sexta-feira a porção era dobrada já que no Shabat terminada a jornada semanal de trabalho não era permitido carregar nada do campo para a casa. E assim tradicionalmente, como reconhecimento dessa benção, são servidas e abençoadas duas chalot antes do início das refeições de Shabat e Yom Tov.
Quanto ao milagre dos 12 pães ou lechem hapanim conta-se que no Templo Sagrado na terra de Israel havia diferentes utensílios para a prática religiosa, além da Mesa, que representava as necessidades físicas dependentes da Graça de D’us e que tinha 12 prateleiras abertas, cada uma representando uma das doze tribos de Israel.
A cada sexta-feira os Cohanim (sacerdotes) assavam doze pães que trocavam por outros assados na semana anterior, e que mesmo depois de tanto tempo ainda permaneciam frescos e quentes e eram comidos por eles no Shabat.

“ E tomarás flor de farinha de trigo e cozerás dela doze tortas; de duas décimas partes de ´efá`será cada torta. E as colocarás em duas fileiras, seis em cada fileira, sobre a mesa pura diante do Eterno.”(Levítico/Emor- 24:5)


CHALÁ

Ingredientes

1 pacotinho de fermento biológico instântaneo
1/4 xc de açúcar
1 cl de sobremesa de sal
2 ovos e 1 gema
½ xc de manteiga
½ l. de água
400/500gr de farinha de trigo
½ xc de papoula/gergelim

Preparo:

Misture o sal, os ovos, a manteiga e a água. À farinha junte o fermento e vá aos poucos misturando aos líquidos até obter uma massa compacta. Sove em movimentos circulares, passe farinha por cima da massa e deixe numa vasilha tampada até dobrar de volume. Passadas mais ou menos 2 horas divida a massa em 2 pedaços e cada pedaço deve ser dividir em três ‘cobrinhas’ para trançar. Depois do pão trançado pincelar com uma gema e salpicar com papoula ou gergelim, levar para assar em tabuleiro em forno médio pré-aquecido por 20/30 minutos. Esfriar em grelha fria antes de cortar.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Receita prometida/almendrado

Esse é um almendrado mais estilizado, com as características do original, porém acrescido de algumas pequenas mudanças. Um dos convidados para o jantar improvisado em Buenos Aires contou que essa é uma de suas sobremesas favoritas e que antes não tinha provado almendrado tão saboroso... Se como no meu caso sua sobremesa tem que ficar pronta em tempo recorde, pule a confecção do sorvete e compre um sorvete de creme ou de baunilha de boa qualidade, deixe fora da geladeira até que amoleça, porém não deixe que se desmanche e siga as etapas seguintes de mistura até colocá-lo na forma para ir ao freezer.

Almendrado portenho

Para o sorvete:

Ingredientes:

1 tablete grande de chocolate branco(170/200gr)
1 lata de creme de leite
1 cl de chá de essência de baunilha
1 cl de chá de essência de amêndoas

Preparo:

Despeja o creme em uma panela, pique o chocolate e mexa a mistura em fogo brando. Quando o chocolate começar a desmanchar desligue o fogo e continue mexendo até obter uma mistura homogênea. Deixe esfriar. Misture bem a baunilha e a essência de amêndoas. Se tiver uma sorveteira despeje nela a mistura e deixe bater por 20 minutos, depois leve ao freezer.

Preparo para a praline/crocante de amêndoas

1ª fase- Descascando as amêndoas

1 bom punhado de amêndoas (70/80 gr)
Água suficiente para cobri-las

Coloque a água numa panela até levantar fervura, acrescente as amêndoas e deixe ferver por um minuto. Escorra em peneira antes de passar por água fria. Retire a pele das amêndoas esfregando-as com a ponta dos dedos. Deixe secar sobre pano de prato antes de usá-las
2ª fase Preparando a praline

2 xcs de açúcar branco
Amêndoas peladas picadas grosseiramente

Leve o açúcar ao fogo brando sem mexer, quando começar a ferver mexa e se empedrar não se assuste, o calor vai caramelar todo o açúcar até que fique dourado.
Faz-se uma calda de caramelo tipo pudim, meio puxa e aí adicionamos as amêndoas antes que esteja completamente fria, antes de endurecer totalmente corte em pequenos pedaços desiguais essa calda dura et voilá la praline.

Dando forma ao sorvete

Misture ao sorvete a praline ( se for o industria lembre de acrescentar as essências), espalhe um pouco de óleo em uma forma de assar pão e despeje aí a mistura, prove para ver se é necessário acrescentar mais essência de amêndoas para apurar um pouco o gosto, cubra com papel filme ou coloque a forma dentro de saco plástico bem vedado.Leve ao freezer por no mínimo 3 horas.

Calda quente de chocolate

Ingredientes:

1 tablete grande de chocolate meio amargo (170/200gr)
1 lata de creme de leite gelado e dessorado
2 cls de sopa de conhaque

Preparo:

Pique o chocolate, junte ao creme e leve a derreter em fogo brando até que amoleça, desligue o fogo e mexa bem até dissolver todo o chocolate. Essa calda pode ser pré-preparada e reaquecida na hora de servir. Se for usar conhaque acrescente apenas quando for servir (depois de aquecer a calda).

Servindo o almendrado

Desenforme o sorvete passando uma faca pelas laterais e coloque-o sobre superfície firme para ser cortado em fatias. Disponha em um prato de sobremesa uma fatia e sobre a metade dela o chocolate quente et bon apetit!




A essência de amêndoas pode ser encontrada nesse site: http://www.proplastik.com.br/produto.aspx?categoria=4&secao=178&hassubsecao=true&subsecao=316&produto=2451
por um preço bastante barato, mas vale sempre a máxima de que tudo o que é preparado pela primeira vez deve ser experimentado antes de ser servido oficialmente, a essência que uso normalmente é estrangeira (em geral todas são) e tem gosto suave.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Mi Buenos Aires querido…

Eu adoro Buenos Aires e procuro ir pelo menos uma vez a cada ano, no máximo a cada dois. Do que gosto? Primeiro de rever meu amigo querido de mais de 30 anos, depois de comer boa comida e degustar bom vinho e mandar pro espaço a dieta recém começada sem qualquer sentimento de culpa, mas graças a Deus segunda feira já está próxima.
Buenos Aires entre outras coisas tem muito espaço aberto e claro, parques bem cuidados e é dona de uma arquitetura clássica que conforta os olhos e faz pensar que se está em Madri ou em Roma, menos apertadas.
Os argentinos gostam de comer bem e tem um carinho todo especial pelas confeitarias onde fazem diversas paradas por dia para lanchinhos ou um café que vem sempre acompanhado de água com gás e às vezes algum biscocholo. Mudaram a estrutura dos cardápios que hoje acomoda um pouco de tudo, já não é mais a confeitaria clássica é verdade, mas preserva sobretudo um elegante olhar portenho.
Ontem para o café da manhã sentei de frente para um parque,debaixo de um céu aberto e azul depois de conferir as medias lunas con manteca (croissants doces) sobre o balcão de mármore e namorar as tortas no aparador de cristal na pequeníssima e charmosa confeitaria do Jardim do Museu Argentino, um friozinho perfeito acompanhou o café duplo cremoso. Dias antes, na segunda à tarde, fui ao Museu Evita Perón que infelizmente estava fechado, o que não me impediu de sentar no Café e beber uma limonada deliciosa temperada com gengibre e desfrutar da tarde quase fresca e ensolarada depois de bater uma perna inevitável, há lindas avenidas arborizadas de construções baixas e dá gosto caminhar sem intenção alguma de chegar a qualquer lugar.
Belisca-se o dia todo gostosuras diferentes em todo lugar e sobra pouco espaço para almoço e jantar, mas da próxima vez suprimo os lanchinhos e parto direto ao que interessa. Bom, um pouco para minha surpresa dessa vez fui não só pra comer e bebericar, mas pra cozinhar pra gente importante que apesar dos cargos ocupados transbordaram simpatia e simplicidade durante o jantar. A conversa foi longa e animada e apesar de ter sido uma coisa pouco combinada e arranjada quase de última hora, o bom vinho e o bom papo temperaram o que por acaso tenha faltado.
Na cozinha, enquanto a água do macarrão fervia um dos convidados, ilustre, sentou-se pra conversar e o assunto foi sobre orgânicos, principalmente sobre tomates e pimentões que muitas vezes são alvo de agrotóxicos carregados de mercúrio, aquele do termômetro que nunca se desfaz...
No Carrefour onde fiz as compras nenhuma folha orgânica, o que para o meu gosto fez a salada ter aparência bonita, mas gosto a nada que um bom malbec não pudesse remediar. Assim que seguimos com as folhas ornamentadas por tiras de pepinos, chévre ao orégano com vinagrete de laranjas e cebolinhas picadas. Couscous marroquino com ratatouille foi o primeiro prato seguido por fusile com molho cremoso de xerez e shitaque. Fechamos a noite com um almendrado na calda quente de chocolate que é uma sobremesa gelada típica da Argentina e que com praline feita em casa dá um resultado bastante razoável.
Na próxima viagem já me encarreguei de visitar restaurantes com comida vegetariana e almoçar, por enquanto é só. Amanhã passo em vista uma das receitas pra postar.

terça-feira, 22 de março de 2011

Porque hoje é sábado...

Essa frase/titulo do poema de Vinicius de Moraes sempre me cabe no pé como sapato encomendado para os sábados especiais. Não gosto sempre de sábados, mas também não é necessário bani-los do calendário, não de vez... Mas concordo com Vinicius que os sábados oscilam entre o frenético e o desagradável; palco de algumas tragédias anunciadas e outras guardadas a sete chaves, os sábados deságuam angústias e ansiedades represadas até a sexta passada.
Nada foi programado e se tivesse sido talvez não tivesse o mesmo resultado. Bia, Junqueira, nos convidou para assistir a Eva do Futuro no SESI da Graça Aranha em curtíssima temporada. Véspera de Obama, ruas interditadas, mas mesmo assim estacionamos próximo ao teatro, rua meio escura, mas assalto? Nem pensar! Nunca se tinha visto na história do centro da cidade noturno tantos policiais por metro quadrado, gentileza não faltava, tomara que essa nova fase da nossa polícia não fique apenas na fase.
Pedro Paulo Rangel, Larissa Maciel e Bruno Ferrari deram um show em cena e o teatro que cheio não estava tinha celebridades na platéia como Guel Arraes e Aderbal Freire.
A noite era de lua cheia, não uma lua qualquer, mas uma super lua e queríamos um lugar especial para admirá-la depois da peça, mas à medida que fazíamos um inventário mental dos restaurantes da área nos desanimávamos e foi então que a Bia lembrou de um projeto de um arquiteto conhecido seu, o João Calafate, e saímos em busca de um restaurante que não conhecíamos, não sabíamos muito bem o que servia e nem onde ficava exatamente. Estacionamos na rua lateral para não nos comprometermos se não quiséssemos ficar e de cara aconteceu exatamente o contrário.
A frente de vidro deixou logo à mostra ao que vinha; um mesão avizinhado de outras duas ou três mesinhas, paredes descascadas até alcançar a argamassa original do prédio e no chão ladrilho hidráulico entremeado por tábuas, à direita da entrada estantes a meio do pé direito alto com vinho de todo lugar, à esquerda uma adega refrigerada com algumas preciosidades a serem, quem sabe, futuramente degustadas e mais mesas.
Cardápio enxuto e saboroso, dois jovens sommeliers para ajudar com tanta escolha e um deles ex-chef, serviço muito simpático. O vinho escolhido foi um carmènere da vinícola Geisse, El Sueño safra 2006, acompanhado de pene com um molho diferente para cada, as sobremesas foram três delícias e as colheres fartas, comme Il faut. Foram R$70 por cabeça, incluindo águas São Lourenço e San Pelegrino
O lugar? Symposium vinhos na rua Ipiranga 65, que pode ser visitado previamente no endereço www.symposiumvinhos.com.br, bonne semaine!

PS: O El Sueño faz parte de um projeto da família Geisse,viticultores famosos do Rio Grande do sul, vale a pena o passeio na página http://www.amadeu.com.br/BR/noticias_sueno.html

segunda-feira, 14 de março de 2011

Seixo de rio

Cheguei de BH, Casa Branca na verdade, quase incólume, o que é difícil quando se passa um fim de semana comendo fora nas Minas Gerais. E não é que algo me diz desde então que minha digestão ainda está indignada com a farra mineira de frituras que meu amigo Marcelino insiste em dizer não ser mineira, mas carioca, imagina isso?
O barato da fritura é que primeiro a gente olha e se está bonito se inala com toda a força que pulmões muitas vezes asmáticos podem conceber e sobe pelas narinas aquele cheiro convincente de que o trem é bão, e aí fica tarde pra razão e digestão que não têm muito como se defender, recusar um torresmo de tofu, um bolinho de arroz temperado e recheado com um minas do lugar, bem feitim, bem fritim, tudo acompanhado de rodelas de cebola quase adocicadas e empanadas, e depois? Ah, depois vêm pastéis de queijo e orégano, mas graças à Deus veio também quiabo, jiló e abobrinha pra ajudar, mais tarde chegaram farofa e feijão mineiro só pra atrapalhar, a sorte foi a sobremesa fraca e intocada.
Comemos dois dias no mesmo lugar porque mineiro não gosta muito de vegetariano, já se viu recusar um torresmim, um lombim, uma linguicin e um paio bem gordim?
Mas ali, no restaurante onde fomos tinha esses vegetaizins bem fritins...Ô trem!
Acho que engordei o do ano que vem, porque convenhamos que o desse ano já tá bastante comprometido. Se era bom não sei precisar, o fato é que ainda está sendo processado com dificuldade e a lentidão necessária pra alguém que nunca come frituras...Mas fora a comida, o restaurante é bem legal.
Fica na beira de um rio e a gente fica namorando do parapeito as águas barrentas trazidas pela chuva que uma vez limpas deixam a gente ver e até contar cada seixo no meio delas, meio como quem conta estrelas sem muita vontade de acabar porque tem umas mais bem desenhadas do que outras e que se movem rio abaixo com tal graça que se fica hesitante sem saber se vale contar ou deixar pra lá pra não chatear outras,quase cascalhos, prá não ser indelicada.
Hora de almoço esticada, almoço pesado que vai fazer cochilo na hora da aula, o professor não embrabece não, mas bobo é quem perde a profusão de palavras que mornas jorram de sua mente e a tudo confortam e o que não se entende normalmente, aí na casa amarela, cor das minhas próprias paredes, tudo fica bem explicado e trocado em miúdos, tudo bem claro.
A resenha ficou assim, meio enjoadinha, porque um leitor amigo me disse que ia esperar pra ler alguma coisa sobre o restaurante no blog, sinto muito se não deu melhor, talvez na próxima, quem sabe? Ah, em tempo: pra quem não sabe eu sou minerin de BH...

sexta-feira, 11 de março de 2011

Whole Food Store

Nos anos 60/70, na High Street Kensington em Londres ficava uma das lojas mais badaladas, se não a mais badalada da cidade, a Biba de Barbara Hulanick uma polonesa que se radicou em Londres e inicialmente começou a vender roupas via correio.
Muito antenada e versátil, dos correios aos pequenos quiosques foi apenas um pulo para que as pequenas lojinhas se espalhassem como rastilho de pólvora por vários bairros de Londres popularizando moda prêt-à-porter e tornando-a acessível às jovens de classe média. Marcas como Mary Quant nasceram no seio de sua loja e a moda psicodélica e o chique retrô ocuparam de assalto alguns dos sete andares do suntuoso edifício, anteriormente uma loja de departamentos careta, que foi totalmente reformado revestindo cada andar com cenários dramáticos e cinematográficos para abrigar roupas, acessórios, maquiagem e um salão de sorvetes art nouveaux requintado no último andar, pit stop obrigatório para saborear um Knickerbocker glory ( sundae imenso servido em copos altos) entre uma compra e outra.
Em pouco tempo o dinheiro que veio dos quiosques foi pulverizado pelo mega investimento que demonstrou ser um engano inadministrável, a falência foi inevitável para a infelicidade de fashionistas e vítimas da moda, a Biba fechou deixando milhares de jovens moderninhas órfãs e na fossa. Os produtos da marca Biba e Mary Quant ainda circularam em outras lojas de departamentos e boutiques por uns bons anos antes de desaparecerem completamente do mercado.
O endereço que foi um sucesso hoje abriga um novo empreendimento atual, arrojado e engajado e já um indiscutível sucesso internacional, o saudável e trade fair (comércio justo)Whole Food Store de comida integral orgânica, não apenas vegetariana, servindo a todos os gostos de forma justa, natural e saborosa.
Nos anos 90, o casal John Mackey e Rene Lawson Hardy, dois americanos classe média começaram seu pequeno comércio natureba com um empréstimo de seus pais e desde então expandiram seu negócio por mais outros oito estados americanos chegando ao Canadá e mais recentemente a Londres, exatamente no endereço onde Barbara Hulanick abriu a Biba, no coração da High Street Kensington.
Ainda na entrada do Whole Food Store somos presenteados com o perfume de pães feitos ali mesmo, de várias farinhas, recheios e formatos, tudo embrulhado em recicláveis, o cenário da loja de tantos andares é lindo e faz bem a todos os sentidos que aguça de uma só vez!
Seguindo em frente, logo depois da padaria estão dois enormes balcões, um quente e outro refrigerado onde comida variada para ser levada é servida a quilo.
A seguir a adega que tem uma centena de rótulos orgânicos de toda a Europa e do novo mundo e mais à frente a área de laticínios que abriga algumas dezenas de queijos e iogurtes de diferentes procedências, infelizmente pasteurizados como exige a lei...
No subsolo um super mercado com cereais, frutas, verduras e legumes arrumados de maneira linda e escultural, uma verdadeira festa para os olhos!
Chocolates, chás, doces, biscoitos, geléias, cafés e desidratados de todas as partes do mundo, além de artigos para a saúde e vestuário têm departamentos organizados com consultores e provas desses produtos são oferecidas aos clientes a cada tanto.
No segundo andar uma praça de alimentação bastante diversificada, um bar e uma cafeteria pra ninguém botar defeito, com tortas deliciosas, e no cantinho, perto do elevador panorâmico uma pequena loja de presentes, nos outros andares que não estão abertos ao publico imagino que se concentrem estoques e escritórios de administração.
Os funcionários simpáticos são conhecedores daquilo que vendem e estão espalhados por todos os andares da loja prontos a dar informações muitas vezes necessárias, tal a abundância de produtos desconhecidos, coisas novas aparecem sempre e quando posso compro pra experimentar.
Bom se estiver ou se for a Londres vale fazer uma visita a High Street Kensington que é uma rua bem bacana, com muito pra se ver e sem tanta gente circulando.
Quando o xá da antiga Pérsia foi derrubado, com ele veio um grande comércio de alimentos persas; caviar, frutas exóticas e um mundo de cereais e legumes até então totalmente desconhecidos na Europa e voltados para os persas ricos que se refugiaram nesse bairro elegante, algumas dessas lojas ainda resistem bravamente e às vezes os donos nos presenteiam com uns dedinhos de prosa super ilustradores, com um bati um papo uma vez sobre a lima da pérsia, outra hora conto.
No mais a rua abriga o Waitrose um supermercado chique e variado, quase de frente o Holland Park onde pavões passeiam tranquilamente e onde acontecem às vezes concertos ao ar livre, o parque abriga um albergue e um café simpático e na primavera tem um perfume maravilhoso e árvores coloridas por tons leves das flores.
Ao longo da rua restaurantes de várias etnias, e no extremo em frente a Church Street um pequeno quarteirão gastronômico, alguns começam o dia com um café da manhã cheio de mimos como croissants de amêndoas fresquinhos e crocantes, pain au chocolat e baguetes francesas. Na 6 Old Court Place, num pequeno recuo da Church street está Maggie Jones's, surpreendente e meu favorito por muitos anos, prá lá de vale uma visita! (tel 44 (0)844 5672329) feita com reserva para jantar, é claro, no almoço às vezes nem precisa. Por pessoa sai mais ou menos R$ 45,00, bem razoável e imperdível!
Se você fala inglês e quer saber mais sobre a High Street Kensington visite o site: http://www.londontown.com/LondonInformation/Underground_Stations/High_Street_Kensington/6679/

quinta-feira, 3 de março de 2011

sob a luz da clarabóia

Às vezes é complicado quando se viaja encontrar um lugar pra comer dedicado a vegetarianos que seja charmoso, bem atendido e onde a comida saborosa não seja cara e de quebra tenha vinhos bastante razoáveis pra acompanhar. O natural, como acontece a turistas desavisados, é terminar numa pizzaria ou trattoria que aqui nem todos sabem do que se trata, mas se aventuram do mesmo jeito a montar uma, o que acontece praticamente em todos os países do mundo; pessoas que acham que comida dá dinheiro e montam restaurantes caça níqueis negligenciando a dedicação a boa mesa, mesmo a mais simples.
Existe sempre a opção japonesa, chinesa, tailandesa ou indiana entre outras, mas eu ainda continuo fã da comida clean onde se possa saborear e muitas vezes adivinhar os ingredientes usados, a árabe e a mediterrânea são minhas favoritas embora esteja aberta para novas nacionalidades, até porque as cozinhas de muitos países vêm mudando seus hábitos, a Inglaterra é uma delas, que saiu do insosso absoluto para lutar por seu lugar ao sol. Lá o percentual de vegetarianos sempre foi alto, mas a gastronomia nunca foi uma prioridade nem para os não vegetarianos, que se queriam comer bem tomavam um vôo de quarenta minutos para Paris, onde hoje em dia infelizmente também é preciso garimpar para comer bem, apesar de os produtos encontrados nas feiras e mercados não deixarem a menor dúvida ao que vieram. Em Paris procurando-se nas caminhadas prazerosas às margens do sena ou fora delas se podem achar verdadeiras pérolas gastronômicas nos pequeninos lugares de cardápios fixos familiarmente tripulados.
A herança dos anos de guerra ou talvez a austeridade financeira e comportamental dos ingleses, apesar de ousados nas artes e na moda, deixou de lado o paladar que agora é palavra de ordem, e como nos demais países do mundo os programas de televisão, os implementos culinários e publicações dedicadas à gastronomia não param de crescer.
Quando viajo a trabalho para a Inglaterra, não fico no centro e nem sempre vou a Londres, mas quando vou aproveito pra fazer incursões por lugares novos e dessa vez graças a um pedido inusitado do meu filho João fui parar num bairro onde poucas vezes circulo por ser muito movimentado, na verdade minha memória tinha apagado o fato de que parte dele ainda mantém muito da tradicional elegância e charme espalhados pelas arcadas antigas de pequenas boutiques especializadas em artigos preciosos e exclusivos encontrados a cada esquina e nas ruelas que desembocam em Regent street, Picadilly.
Dentre essas arcadas e ruas ficam uns dois ou três quarteirões gastronômicos para atender aos que passeiam ou trabalham na área. Com fome entrei no que fica em Heddon street e entre os tantos restaurante que o beco abriga encontrei o tibits (eles escrevem assim, em minúsculas), moderno, com um buffet muitíssimo variado e sem as quantidades excessivas servidas geralmente nos restaurantes a quilo que causa avaria no visual e sabor da comida, sempre cozida demais, anêmica e adormecida demais sobre o constante banho-maria, que faz pensar o que leva alguém a optar por comer num lugar assim e dar lucro a um mau negociante sem se queixar, enfim...
Voltando ao tibis; o restaurante é claro, moderno e tem uma clarabóia simpática que faz transparecer a luminosidade do dia e quem sabe às vezes testemunhar gotas de chuva ou flocos de neve? Eu sou fã de clarabóias, a luz natural dá a comida colorido real e no tibis as luzes são na medida certa e a música lounge no volume adequado, o que empresta um conforto extra e deixa à vontade mesmo os que estão comendo com pressa no intervalo de trabalho.
Banheiros bacanas, área exclusiva para crianças no subsolo que abriga também um pequeno cantinho com um ar japonês contemporâneo e o pessoal que trabalha é bem zen e solícito, no cardápio vem escrito que a comida é feita com cuidado e amor, e eu levei tão a sério que na saída comprei um sanduíche take away de pão integral de grãos e casca grossa, com queijo, salada, alfafa e molho de mostrada muitíssimo bom.
O tibis abre desde o café da manhã e vai até o último cliente se retirar, e cem gramas no café da manhã sai a 1.60 libras o que equivale a aproximadamente 4 reais, o almoço 1.90 e o jantar 2.15, o endereço está dado e o recado também.
No próximo post vou falar de um lugar muito especial em High Street Kensington, até lá!