sábado, 17 de agosto de 2013

O embate do chá




Um mestre de cerimônia do chá ofendeu acidentalmente um samurai e rapidamente de desculpou, porém sentindo-se ultrajado o soldado exigiu que o impasse fosse decidido na ponta de sua espada. O mestre que não tinha qualquer experiência com espadas pediu conselho de um monge amigo, experiente em lutas enquanto bebiam chá. O monge se desculpou por não poder ajudá-lo, mas vendo-o preparar o chá observou sua perfeita concentração e tranquilidade e disse: “amanhã, quando for duelar com o soldado, mantenha sua espada levantada como se fosse atacar, mas encare-o com a mesma concentração e tranquilidade com que prepara a cerimônia do chá.” No dia seguinte, na hora marcada para o duelo o mestre seguiu o conselho do monge. No dia marcado o samurai preparou seu ataque e encarou por alguns minutos a expressão calma e atenta do mestre, desconcertado baixou sua arma e saiu se desculpando pela arrogância sem que nenhum golpe tenha sido desferido.(conto zen budista)

 

 

Um connoisseur de vinho dirá que os brancos combinam com peixes e aves enquanto os tintos com carnes, massas e queijos, mas com a chegada dos vinhos do novo mundo algumas regras caíram em desuso e as combinações foram reacomodadas, com o chá aconteceu algo bem parecido. Durante décadas o chá preto aromatizado ou não foi considerado o único acompanhante de comidas enquanto os demais eram tomados sozinhos sem quaisquer acompanhamentos, na China bebe-se chá com ou sem motivo, com verduras, legumes, frutas secas e nozes variadas e também nas refeições formais e na Europa se antes o chá não ousava hoje nos salões de chá centenas de variedades de chá são servidas para serem degustados com os tradicionais sanduíches de pepino, doces, tortas e biscoitos. São chás na forma mais simples ou aromatizados ou blends ou defumados como o lapsong souchon que chegam a beira do sabor de bacon e se comportam maravilhosamente com massas cozidas nele! O oolong se supera como acompanhamento de um prato de verduras e legumes que podem ser preparados no vapor de um chá de jasmim onde arroz está sendo cozido numa festa de aromas e sabores!

Para o chá da tarde Earl Grey é perfeito com toques de frutas cítricas e para acompanhar as sobremesas os mais achocolatados ou os verdes que equilibram pratos muito adocicados, mas para terminar puer sempre, nada mais digestivo, saboroso e dietético!

Os cardápios de chá atualmente trazem uma infinita variedade e pesquisar e experimentar é preciso que é dessa forma que se aprende e se constrói o paladar para chá!

 

domingo, 26 de maio de 2013

Apontador de lápis e vendedor de sinos!



Lendo o artigo sr. Lápis no Globo de sábado no caderno Ela me veio imediatamente a cabeça a surpresa ao me deparar com uma pequena loja de sinos em Berlim, num quartier simpático do Mitte. O que leva uma pessoa a deixar de lado uma carreira de sucesso como cartunista para ser apontador de lápis ou faz com que alguém abra uma loja de sinos em Berlim como se estivesse na fronteira do Nepal ou o Butão, ou vizinho ao muro de um templo budista? Respostas urgentes para esse blog!
A caminhada no Mitte na 5a feira foi testemunha das várias lindas e delicadas surpresas que se escondem nos micro centros comerciais a céu aberto que ficam entre os edifícios residenciais de três ou quatro andares que abrigam desde uma boutique de chocolate artesanal e uma pequena fábrica/loja de balas onde um chefe baleiro ministra aulas lotadas a ateliers de joias e roupas impossíveis de se sobreviver sem, o design está nos mínimos espaços e nas mínimas coisas na Berlim que já foi reconhecidamente o centro cultural europeu e continua arrojada, descolada e charmosa. Está-se numa capital, mas repira-se ares de província onde pais carregam os filhos em "carruagens" pequenas acopladas as bicicletas e onde não se escutam freadas e nem buzinas. Fumaça? Nem pensar! Berlim é ecológica, tudo se transforma e se recicla.
Em janeiro de 1933 o partido nazista tomou o poder e com ele a comunidade judaica em Berlim que tinha 160 000 moradores desapareceu do mapa. Entre 1943/1945 a cidade foi destruída por ataques aéreos e  ressurgiu das cinzas e marcas delas são hoje monumentos ou testemunhas de uma tristíssima página da sua história que visitamos no Pauly, restaurante contemporâneo que funciona onde foi o antigo colégio de meninas judias, um edifício que depois da guerra foi doado a comunidade judaica e que por 30 anos ficou desativado, sem que surgisse coragem para fazer alguma coisa com ele até que finalmente uma bienal arriscou o espaço e foi um sucesso, uma surpresa espera na fachada aos que forem visitá-lo.
Uma parte do Mitte é bairro judeu e aqui e ali uma sinagoga, um restaurante, um centro cultural e galerias de arte e o imperdível Beth Cafe, que hão de pensar se tratar do café da Beth, mas...Ledo engano, beth aqui é casa ou seja: casa do café=cafeteria, lá não se pode fotografar, usar celular ou computador e não sei precisar se por motivos de segurança ou religiosos. O café tem comida kosher, e, portanto, bacana também para vegetarianos, quando cheguei já não tinha mais cheese cake, uma especialidade que ficaram me devendo e vou cobrar porque cheese cake judaico É, os cheese cakes americanos são filhotes dele.
Além do Mitte, onde fiquei com o Gustavo (Mancini) há muita vida em Berlim; museus, galerias de arte, música e dança, tanto clássica quanto contemporânea, e que sorte (!) Anish Kapoor estava lá com todos os vermelhos, nos deixando quase sem ar com sua ousadia orgânica inenarrável, sai-se da exposição cheio de vida e certezas que dois minutos depois desaparecem num copo fumegante de chá de hortelã fresco.
Os bondes cortam a cidade que deve ser vista assim, em cima do asfalto, ainda que a rede de metrô seja boa e bem completa em dias ensolarados vale olhar os poucos monumentos que sobraram ou a moderníssima Berlim Oriental de arquitetura espacial. Come-se e bebe-se maravilhosamente bem nos grandes ou pequenos, caros ou razoáveis cafés, bistrôs e restaurantes e os pães são absolutamente maravilhosos, não apenas os pretos nos quais são experts, mas também os brancos de cebolas refogadas e de alho negro assado.
É agora a boa hora de Berlim, os turistas ainda não chegaram e o sol começa a despertar antes das 05h30 e só vai dormir depois das 22h e antes de ir pra casa vale uma passada no pequeno salão de bailes na Auguste Strasse, perto do Pauly, lá no Mitte onde fiquei hospedada.
Bom domingo, bon appétit et a bientôt!

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O Direito de Envelhecer

Essa semana li uma reportagem de um famoso ator de teatro inglês que retrata bem a tragicomédia que é o nosso cotidiano. Há atualmente um irritante e crescente movimento politicamente correto que não apenas é cansativo, mas que no pretenso intuito de nos fazer sentir incluídos cria uma camisa de força da qual não podemos escapar porquanto não podemos nos expressar fora dela sem risco. Na entrevista o ator vai registrando a dificuldade que com mais de oitenta, quase noventa anos enfrenta e que eu particularmente acho que tanto a sociedade como os familiares resolveram adotar um tom otimista beirando a piléria para se redimirem da responsabilidade que não querem assumir, seja com a real situação do velho, seja com a possibilidade de, se sobreviventes, a velhice vir bater à porta ou com a irresponsabilidade de não se designar verbas específicas para uma idade em que não necessariamente a improdutividade é uma escolha, mas que as condições fisicas e às vezes psiquicas impõem. É comico como o ator transpõe seu cotidiano dizendo que recusa sistematicamente os já não muitos convites para almoços e jantares, porque simplesmente suas melhores roupas vêm sendo vítimas do tempo e ele, a exemplo de muitos outros contemporâneos vem se tornando um usurário contumaz, porque a cada dia o amanhã fica mais incerto e solitário. Com certeza por não querermos lidar com essa realidade e freneticamente buscarmos ignorá-la passamos por processos que prometem nos aliviar de nossa própria (real)idade com milagres que nos custam fortunas e tempo precioso que talvez pudéssemos dedicar aos amigos queridos, aos familiares que inevitavelmente irão embora e de quem mais tarde talvez lembremos com uma saudade distanciada, porque na verdade estivemos distantes. Nada contra qualquer coisa que nos faça sentir melhores, mais bonitos e mais saudáveis, ao contrário, uma velhice independente é verdadeiramente invejável e quem sabe com o passar dos anos e com tudo que vamos descobrindo a velhice passe apenas a ser uma contagem que não se sinta no corpo e nem na mente, mas apenas na carteira de identidade? A entrevista segue numa mistura de exaltação e melancolia,cubos de gelo num copo de whisky e a certeza de que o tempo não deixa barato. Queremos muito uma felicidade sem limites, mas...sem limites não há nada! Talvez a sabedoria esteja no escancarar e conter, no inspirar e expirar com naturalidade, no trilhar caminhos do meio quando existe a possibilidade e exagerar, apenas às vezes, como convém à sensação de liberdade. Comer se, e quando possível, até haver saciedade, misturar cores no prato e celebrar com um bom, um excelente vinho, quando se tem oportunidade! Não perder as comidas imperdíveis, as caminhadas oxigenadas, o filme, a peça e a ópera de que mais se gosta, porque tudo, absolutamente tudo, muda inevitavelmente ao sabor do vento! Evitar, pelo menos nas 2as feiras quando o corpo sofre os excessos da semana e do fim dela, qualquer tipo de carne, dar um tempo para o paladar e a resistência do corpo para o excesso de hormônios injetados em todos os animais de corte e principalmente não guardar as coisas "para sempre", porque nada dura tanto tempo assim. Bom dia, bon appétit e lembre de guardar as 2as feiras sem carne, com o tempo seu corpo vai agradecer!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Longo inverno sem postar, mas finalmente the book is on the table! Em julho vai ter livro novo na praça!
Mas trocando de saco pra mala, como diz um amigo, eu estava lendo o suplemento do Globo de ontem, (O globo Amanhã) e me deparei com o artigo Slow Food escrito por Érica Magni, acho que depoimentos como o colhido por ela e que reproduzo a seguir deviam ser espalhados pelos outdoors das cidades, apenas para nos ilustrar ...Abre aspas, Fiquei internada por conta de uma bactéria alimentar, isso foi o golpe derradeiro. Precisei gastar muito dinheiro e tempo para me recuperar. Fiz uma dieta que excluia os conservantes e minha pele ficou bem mais saudável. Prometi que não voltaria a consumir nada processado. Daí, passei a fazer meus pães, bolos, massas, e principalmente analisar a procedência dos ingredientes. Isso inclui os ovos, o trigo, as carnes, o leite, as verduras e as frutas- Fecha aspas...
Acho que sabemos todos, ou quase, dessas coisas que nos acontecem quando pulamos a cerca pra cortar caminho, a verdade é que no quesito alimentação não há extamente um possivel caminho tão mais curto, mas tentamos, sempre apressados, e passamos por cima daquilo que não dá pra ser atropelado: o que a gente come, e que pode resultar em saúde ou doença, afinal saúde e doença são uma escolha pessoal.
Os tempos urgem ou rugem como preferem alguns, mas precisamos comer tanto quanto respirar, então, por favor, menos pressa! O que comemos durante o dia nem precisa ser tão elaborado, o que não significa que precise ser tão aditivado que faça a gente esquecer o que se está comendo. Basta um punhado de coisas frescas com ou sem cascas, uma vitamina de muitas cores e pouco leite, um queijo fresco, uma torrada, mas ora direis, e a comida quente meu?! Comida quente na pressa?!? Dá gases...Já reparou? Então comida quente é pra se comer com tempo e saborear, slow pra dar tempo de bater um papo a cada vez que a boca esvazia, entre garfadas, porque comida precisa ser alegre desde o plantio até a digestão e por isso eu prefiro orgânicos que mesmo antes da semente tocar o solo tudo já foi pensado de forma mais humana, sem remédios no solo, na semente, na lavoura, no agricultor, na sua mesa e no seu estômago, o que resulta em menos necessidade de remédios durante a vida e com isso menos efeitos colaterais, passados 50 anos e outro tanto tomo apenas sintroid pra tireóide. Uma dieta vegetariana substancial e colorida, caminhadas regulares mudando de cenário, um pouco menos de sal, um pouco mais de água, brisa fresca e boas gargalhadas, fazem toda a diferença, sem esquecer é claro, de uns copos de vinho porque ninguém é de ferro e disciplina e felicidade dão melhores frutos quando caminham de mãos dadas.
Bom por hoje é só, queriaapenas repartir o depoimento que li, porque a saúde ou falta dela começa na gente e é incrível como lutar por ela muda completamente o sistema ecológico, pense nisso com carinho. Bom feriado et bon appétir toujours!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

trufas de panetone

Quarta feira a noite pra quem não tem tv a cabo e precisa respirar um pingo depois de muitas horas de escrita e que além do mais não curte futebol tem que ser no mínimo gastronômica, modesta que seja, mas gastronômica. Então me preparando para fugir do tédio, comprei na volta para casa uma 1/2 garrafa de tinto Montes Alpha chileno, um bloco de queijo tipo feta de cabra, maçãs crocantes (pensei em inglês crispy e não tenho certeza dessa tradução, mas...) e como uma coisa leva a outra pensei que umas trufas fariam boa companhia a minha pequena farra, vinho pra mim termina sempre em doce. Como a coisa que mais gosto no natal são os bolos, um que anualmente um grande amigo faz e que para acompanhar preparo um sorvete de creme e conhaque, e panetone, gosto muito de panetone, e como por acaso(...) tinha um na despensa...A receitadas trufas é bem básica e fácil.

ingredientes:

1 barra de chocolate semi amargo
100 ml de creme de leite
1 xícara de panetone em pedacinhos
2 a 3 gotas de azeitede trufas (opcional)
cacau em pó

preparo:

Leve o chocolate para dereter no banho-maria, sobre panela que não deixe escapar vapor, o que encresparia o chocolate, e antes que esteja completamente derretido acrescente o creme de leite e o azeite e depois os pedaços de panetone mexendo bem. Deixe esfriar e leve por 15/20 minutos a geladeira. Coloque 1/2 xícara de cacau em pó num bowl, e se tiver experiência faça as trufas com a ajuda de duas colheres de chá, se não, enrole como brigadeiros e passe pelo cacau, depois retorne a geladeira por 1 hora et bon appétit!

sábado, 17 de novembro de 2012

Almoço rápido pra domingo

O friozinho convida, mas amanhã é domingo dia de pouco trabalho, assim que: o almoço tem que aquecer, ser saboroso e principalmente rápido, então mãos as compras para  já estar tudo estocado antres de começar. Nunca é demais lembrar que os ingredientes têm que ser sempre os melhores que se pode comprar, preferencialmente os orgânicos, um pouco caro? Garanto que sai mais barato e saboroso do que comer fora, e não vai ser nem preciso enfrentar fila e a chuva fina desse invernico estemporâneo então vamos lá! O pão pode ser feito em casa para molhar em azeite especial, vale uma olhada no http://www.youtube.com/watch?v=zh-tjdbhlws para preparar pão mediterrâneo saboroso e fácil, na lista de compras fermento para pizza, farinha de trigo, alecrim ou orégano, e para o próximo prato: sopa de pêras com rúcula, são 2 peras por pessoa, rúcula e amêndoas peladas e fatiadas, a sopa pode ser servida quente ou fria, depende de como está o dia e o gosto do freguês, fica igualmente saborosa. Prato principal? Risoto de aspargos frescos e brie e pra terminar banana da terra assada no forno ao fleur du sel, 25 ml de suco de laranja, canela em pó e grana padano ralado, hummmmmmmmmmmmm, o vinho escolhido para acompanhar foi o chileno Ecos de Rulo carmenere safra 2009.
Para a sopa descasque, desosse e cozinhe as duas pêras em 1 copo de água filtrada com 5 ou 6 folhas de rúcula, quando as pêras estiverem macias pocesse tudo e tempere com sal e azeite, toste as amêndoas em frigideira para guarnecer a sopa quando servir em bowls individuais. Para o risoto, primeiro o caldo feito com alho e cebolas picados e refogados junto com as pontas mais duras da base dos caules de aspargos,acrescente água e sal, coe e reserve. Para o risoto arroz arbório, NÃO LAVE, é preciso manter o amido, refogue alho e cebola, junte o arroz, o caldo e água quente se for necessária, quando estiver próximo do cozimento coloque os talos de aspargos picados, depois 50 gramas de grana padano ralado e no fim ao invés da manteiga 2 a 3 colheres de sopa de brie, mas só o miolo sem a casca, se quiser pode acrescentar 1/2 copo de vinho branco ou champagne junto com o caldo, ou não, como diria Caetano...
A banana da sobremesa leva um corte ao comprido na casca, que uma vez aberta é regada com a mistura de suco, sal e canela e por cima o queijo ralado. Trés bom appétit e trés bon dimanche!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O feijão nosso de cada dia nos dai hoje...

Acordei saciada pelo feijão, farofinha, banana e couve que devorei no jantar (também!) e pronta para me debruçar sobre esse herói nacional, agora sem garfo e nem faca, recolhi o jornal distraídamente enquanto topava com o  porteiro novo na porta. Bom dia breve e na intenção de apenas folhear abri o jornal numa página internacional que falava sobre a China atual, meu assunto do momento! Babei quando li Martin Jacques, autor de Quando a China Governar o Mundo, dizer que a China não é a ditadura que no ocidente imaginamos, porque se fosse assim o povo não seria tão conivente. Antes que pulem da cadeira me explico: o que acontece aqui é que ao entrarmos em contato com idéias diferentes das nossas temos uma dificil digestão, mas depois de tanta disgressão voltemos ao que interessa: feijão e pasmem...China....
Até abril deste ano 44% das 78,2 mil toneladas de feijão-preto importado pelo Brasil vieram da China,e me pergunto, que conta é essa? O feijão, orgulho nacional é parte da cesta básica e dobradinha de invencíveis PFs servidos nos bares e restaurantes do país afora, quando foi que sumiu e ninguém viu? É verdade que já há muito não produzimos o tanto que comemos, mas cá com meus botões pensei que quando muito vinha da Argentina, pois é, vem de muito mais longe atualmente... Sempre tenho medo de comidas que crescem longe dos nossos olhos, principalmente quando são cesta básica, e como dizia meu avô; " o que engorda o gado é o olho do dono" e quando o olho tá longe, o quê? Destesto circunflexos no quê e desconfio que nem sei usar, desconfio também de comida que vem de longe e precisa cair do galho antes da hora sem desenvolver propriedades necessárias para alimentar de verdade, com propriedade(s), com a desculpa insossa de baratear custos, é no mínimo esquisito num país que como já dizia Caminha, " que em se plantando tudo dá" a gente ter que importar.
Embora preferência nacional o feijão pode as vezes nos fazer ruborizar só de pensar nos gases que provoca e que nos fazem desistir, mas não precisa ser assim e nem é necessário comprar e consumir um transgênico colombiano que já vem com as fibras amaciadas para evitar constrangimento. Nas quintas feiras a feira orgânica do meu bairro oferece entre as muitas frutas, verduras e hortaliças frescas, feijão preto orgânico não transgênico. O quilo não é barato, R$10, mas vale cada grão que não sei se é diferente do oferecido nos supermercados ou se é apenas a quantidade de agrotóxico que faz a diferença, e eu que antes dele há anos já não comia feijão preto caio de garfo e até faca pra não deixar nada no prato. Uma pitadinha de cominho e de coentro fresco ou em grãos bem processados, gotinhas de molho inglês, pitadinha de tabasco e um nadica de mostarda em pó, sempre acompanhado de umas folhas de louro (as brancas asiáticas são um espetáculo!) dão  gosto sensacional pra comer com arroz branco orgânico acompanhado de farofinha de alho, banana fatiada grelhada, regada a suco e raspa de laranjas e junto a isso uma couve refogada, et voilá um maná dos deuses pra ser saboreado no sábado! Pra quem gosta do sabor das carnes é só acrescentar um tofu defumado que faz as vezes dos embutidos sem decepcionar, eu daqui vou pro frio danado, assim que bon appétit para quem fica! Ah, nos sábados tem feirinha orgânica na Glória e acho que também na Lagoa do lado da igreja São José, bom final de semana!