Lasanha vegetariana
Ingredientes:
200 gr de massa para lasanha crua
150 gr de ricota de cabra
150/200 gr de mussarela light fatiada
Um punhado de passas pretas
Um punhado de nozes trituradas
*molho de tomate fácil
Preparo:
Ferva 2 litros de água com sal a gosto e um galho de alecrim, coloque as tiras de lasanha para cozinhar pelo tempo informado na embalagem. Retire cada uma com cuidado e passe na água fria para não grudarem. Disponha sobre uma bandeja e pincele cada uma ligeiramente com pouco de azeite, reserve.
*molho de tomate fácil
Ingredientes:
2 latas de tomate pelati italiano ( a legislação quanto a pesticidas na plantação italiana é mais saudável que a nossa )
1cl de sopa de alho bem picado
azeite
1 cl de sopa de alecrim ou orégano
Sal a gosto
1 cl de sopa de vinho tinto(opcional)
Preparo:
Refogue o alho no azeite e adicione os tomates mexendo para que se desmanchem, misture tosos os ingredientes, menos o vinho, e cozinhe em fogo brando com a panela tampada por 5/10 minutos. Apague o fogo, adicione o vinho e tampe outra vez até a hora de utilizar. Reserve ¼ da receita para colocar o fundo da forma e terminar a lasanha.
Montagem:
Com um garfo misture a ricota com as passas, nozes e o molho de tomate já frio. Num recipiente refratário coloque uma boa quantidade de molho de tomate e cubra com tiras da massa e sobre elas fatias de mussarela seguida pela mistura da ricota. Siga esse padrão, terminando com tiras da massa cobertas por mussarela e molho de tomates.leve ao forno para gratinar por 5/10 minutos.
Salada fresca: (prefira produtos orgânicos)
Ingredientes:
1 pera firme
Alface americana
Agrião
Rabanetes
Pepinos japoneses
Preparo:
Lave bem todos os ingredientes com uma solução de hipoclorito de sódio (água sanitária) e deixe secar. Rale os pepinos e rabanetes, corte a pera em fatias verticais bem finas e salteie ligeiramente em frigideira levemente untada com azeite salpicada com açúcar. Monte a salada fazendo um ninho baixo com o alface, arrumando rabanete e pepino misturados, ladeados apenas pelas folhas de agrião. Para o molho uma fruta cítrica, misturada a azeite, sal e pimenta ralados, algumas gotas de mel e 1 colherinha de café de mostarda.
Sobremesa:
Bananas ao forno com gelado de baunilha
Ingredientes:
1 banana por pessoa
½ copo de suco de laranja
2 cls de sopa de suco de gengibre
Açúcar cristal
Preparo:
Para o suco rale o gengibre e esprema em pano fino, misture ao da laranja e reserve. Lave bem as bananas que vão ser assadas com casca e faça um corte longitudinal em cada casca, abra ligeiramente e coloque em forma refratária. Despeje sobre cada banana um pouco de suco mistura, não importa que escorra na forma, no final é absorvida. Forno quente por 10/15 minutos. Sirva quente com o gelato.
Gelato de baunilha
Ingredientes:
350 ml de creme de leite gelado e dessorado
100/150 ml de leite condensado
100 ml de leite integral gelado
1 cl de chá de essência de baunilha
Preparo:
Processe todos os ingredientes. Se tiver uma sorveteira despeje nela a mistura até gelar,entre 30/40 minutos, e depois leve ao freezer em recipiente fechado ou coberto por 2 horas. Caso contrário, a cada hora e meia, duas, e bata a mistura com fouet ou garfo.
Fouet- utensílio culinário aramado, próprio para bater receitas líquidas ou semi líquidas
domingo, 10 de outubro de 2010
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
veio do http://inagracindo.blogspot.com ? essa estória começa lá
As ervilhas serviram a Johann Gregor Mendel para as experiências que o levaram à descoberta das leis da herança biológica, hoje conhecidas em todo o mundo como leis de Mendel, mas é claro que nem minha mãe e nem as mães da vizinhança estavam preocupadas com essas teorias quando nos faziam engolir a sopa quente de ervilha que durante anos me causou náuseas só de sentir o cheiro!Boa fonte de sais minerais, fósforo, cálcio, potássio ferro, bons na formação dos ossos, dentes e sangue, tem alguma vitamina A e vitaminas do Complexo B, que promovem o crescimento e estimulam o apetite! Era tudo o que elas queriam; filhos gordinhos! Mas minha mãe ultrapassava todas as regras de conduta materna quando me contava histórias lacrimogênicas, logo eu, criança tão sensível que por qualquer pequeno drama se derretia e abria a boca num choro logo completado por uma colherada de sopa, e ela entusiasmada continuava o drama até que eu limpasse todo o prato. Durante quantos anos não pude sentir nem o cheiro? Meu amor por ervilhas é recente, aprendi com o filho mais moço, que já não é mais tão moço...Se me arrependo? Muito! Mais do que todo o conteúdo de saúde a ervilha é uma pérola delicada de sabor e textura muito sutis. Hoje sou fã da sopa, do purê com hortelã picado, das batatinhas assadas com alecrim, dentes de alho e ervilha, do patê, delas misturadas com pequenas cebolas carameladas no melado e suco de laranjas... Ah, a relação com a história do outro blog? A constatação de que um ponto de vista é só isso; um ponto de vista apenas.
Sopa de ervilhas com croutons de pimenta
Para a sopa
Ingredientes:
2 xícaras de ervilhas secas
500 ml de água
200 ml de leite ou iogurte natural
1caldo vegetal (opcional)
Sal e pimenta ralados a gosto
1 cl de sopa de queijo tipo boursin natural
Azeite
Hortelã fresca picada
Preparo:
Em fogo brando cozinhe as ervilhas na mistura de água e leite com o caldo vegetal até que as ervilhas quase desmanchem, tempere e processe se quiser obter uma mistura cremosa ou deixe os grãos aparentes. Sirva cobrindo com um fio de azeite e guarneça com uma colherada do queijo tipo boursin, salpique o hortelã sobre o queijo, sirva fria ou quente.
Para o crouton
Ingredientes:
Fatias de pão de forma descascadas
5 cls de sopa de azeite
Pimenta do reino ralada
Preparo:
Corte as fatias de pão em cubinhos homogêneos, salteie em frigideira regada com azeite, rale a pimenta do reino sobre o crouton e mexa levemente até obter cubinhos quase torrados.
Sopa de ervilhas com croutons de pimenta
Para a sopa
Ingredientes:
2 xícaras de ervilhas secas
500 ml de água
200 ml de leite ou iogurte natural
1caldo vegetal (opcional)
Sal e pimenta ralados a gosto
1 cl de sopa de queijo tipo boursin natural
Azeite
Hortelã fresca picada
Preparo:
Em fogo brando cozinhe as ervilhas na mistura de água e leite com o caldo vegetal até que as ervilhas quase desmanchem, tempere e processe se quiser obter uma mistura cremosa ou deixe os grãos aparentes. Sirva cobrindo com um fio de azeite e guarneça com uma colherada do queijo tipo boursin, salpique o hortelã sobre o queijo, sirva fria ou quente.
Para o crouton
Ingredientes:
Fatias de pão de forma descascadas
5 cls de sopa de azeite
Pimenta do reino ralada
Preparo:
Corte as fatias de pão em cubinhos homogêneos, salteie em frigideira regada com azeite, rale a pimenta do reino sobre o crouton e mexa levemente até obter cubinhos quase torrados.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Yes nós temos bananas!
A fruta é muito antiga, sua idade é estimada em 8000 anos (antes de Cristo!) e as variedades são mais de cem.
A banana, orgulho nacional, não é brasileira como muitos acreditam, ela chegou aqui trazida pelos navegadores portugueses e começou e ser cultivada entre os séculos XV e XVI . Original do sudeste da Ásia a banana passou a ter cultivo sistemático primeiramente em Papua, Nova Guiné,hoje com técnicas especiais é cultivada em qualquer lugar do planeta que possa oferecer calor natural ou de estufas controladas.
Tudo na banana é utilizável além do fruto propriamente dito; o coração, por exemplo, é uma iguaria servida na Ásia (o sabor é parecido ao da alcachofra e como essa o coração e as pétalas são comestíveis), as cascas são aproveitadas na confecção têxtil e de papel, produzidas com técnicas centenárias.
Nutritivas e versáteis as bananas podem ser preparadas nas formas doce e salgada, refogadas, ensopadas, cozidas fritas e desidratadas, viram até farinhas dietéticas para afinar a silhueta. Enfim, cada família tem uma receitinha infalível, saborosa e econômica que é sempre uma festa. Na minha, meu irmão mais velho, o Demócrito, cultivou o “doce de banana rosa”, uma delícia feita à olho, sem receita precisa, deliciosa para ser comida gelada. Ele enfatiza que a cor só é conseguida com a banana prata, as outras oxidam e escurecem...
Doce de banana rosa
Ingredientes:
Banana prata madura ma non troppo
Açúcar orgânico branco
Leite
1 canela em pau (opcional)
Preparo:
Corte cada banana em três longitudinalmente e reserve. Polvilhe o fundo de uma panela com açúcar e disponha a primeira camada de bananas, cubra com açúcar. Repita essa ordem três vezes, termine com a camada de açúcar e depois cubra tudo completamente com leite. A panela fica parcialmente tampada e o doce vai ser cozido em fogo brando até que atinja a cor rosa, que é o sinal de que está no ponto.
A banana, orgulho nacional, não é brasileira como muitos acreditam, ela chegou aqui trazida pelos navegadores portugueses e começou e ser cultivada entre os séculos XV e XVI . Original do sudeste da Ásia a banana passou a ter cultivo sistemático primeiramente em Papua, Nova Guiné,hoje com técnicas especiais é cultivada em qualquer lugar do planeta que possa oferecer calor natural ou de estufas controladas.
Tudo na banana é utilizável além do fruto propriamente dito; o coração, por exemplo, é uma iguaria servida na Ásia (o sabor é parecido ao da alcachofra e como essa o coração e as pétalas são comestíveis), as cascas são aproveitadas na confecção têxtil e de papel, produzidas com técnicas centenárias.
Nutritivas e versáteis as bananas podem ser preparadas nas formas doce e salgada, refogadas, ensopadas, cozidas fritas e desidratadas, viram até farinhas dietéticas para afinar a silhueta. Enfim, cada família tem uma receitinha infalível, saborosa e econômica que é sempre uma festa. Na minha, meu irmão mais velho, o Demócrito, cultivou o “doce de banana rosa”, uma delícia feita à olho, sem receita precisa, deliciosa para ser comida gelada. Ele enfatiza que a cor só é conseguida com a banana prata, as outras oxidam e escurecem...
Doce de banana rosa
Ingredientes:
Banana prata madura ma non troppo
Açúcar orgânico branco
Leite
1 canela em pau (opcional)
Preparo:
Corte cada banana em três longitudinalmente e reserve. Polvilhe o fundo de uma panela com açúcar e disponha a primeira camada de bananas, cubra com açúcar. Repita essa ordem três vezes, termine com a camada de açúcar e depois cubra tudo completamente com leite. A panela fica parcialmente tampada e o doce vai ser cozido em fogo brando até que atinja a cor rosa, que é o sinal de que está no ponto.
Brunoise de cantaloupe au poivre rouge
Com mais acesso a informações a cozinha tem deixado de ser apenas o lugar de se fazer comida. Aos poucos a bancada deixa de ser apenas um balcão culinário para se transformar também num universo de pesquisa e reações químicas.
Pesquisar, escolher e entender aquilo que consumimos pode ajudar a transformar o que às vezes não parece tão saboroso ou neutralizar um sabor que se impõe aos demais e que por essa razão às vezes é deixado de lado, desmistificar na prática algumas regras absolutas pode trazer resultados bem interessantes.
Durante uma das aulas do Cordon Vert, cortes de pimenta, depois de picar umas quantas malaguetas, inadvertidamente cocei os olhos...O ardor é bem mais acentuado do que na boca e meus colegas solidários correram por água gelada para me ajudar, porém uma das professoras mais experiente no assunto, embebeu dois chumaços de algodão em leite que colocou sobre meus olhos. Efeito mágico e quase imediato.
Na verdade quase todos nós sabemos que o leite é capaz de neutralizar alguns venenos que atingem as mucosas, e, no entanto, para nos aliviarmos do ardor da pimenta em geral recorremos sem pensar duas vezes a água...
Existem as chamadas pimentas de cheiro apenas perfumadas com um ardor muito ligeiro, dessas hoje em dia sou fã, já das outras sempre busquei distância, porém em função dessa experiência durante meu curso resolvi dar uma chance à pimenta ardida e criar com ela um prato que realce o after taste ( retro sabor) além do ardor.
Geléia de pimenta
Ingredientes:
2 xcs de açúcar orgânico branco
Suco e casca ralada de 1 limão siciliano
300 ml de água
100 ml de suco de maçã fresco
4 pimentas malaguetas verdes ou vermelhas
Preparo:
Lave, seque e pique bem a malagueta (se não for usar luvas para picar, lembre de lavar bem as mãos com sabão neutro, certos detergentes e pimenta podem detonar uma reação de queimadura) e reserve. De preferência em panela de ágata leve os outros ingredientes ao fogo brando até levantar fervura, mexendo de vez em quando. Acrescente a pimenta e deixe cozinhar por 20/30 minutos, mexendo a cada quanto, acrescente mais açúcar aos poucos se achar necessário. Desligue o fogo tampe a panela e deixe esfriar. Para estocar tenha um vidro fervido e esterilizado com álcool.
Segue uma entrada bem saborosa que utiliza a geléia.
Brunoise* de cantaloupe au poivre rouge
Ingredientes:
1 receita de geléia de malagueta vermelha
Melão cantaloupe
2 ou 3 cls de sopa de mascarpone, boursin* ou chévre* por pessoa
Folhas de hortelã
Coentro bem picado (opcional)
Preparo:
Brunoise*- técnica francesa de corte em cubinhos homogêneos que se presta a frutas, legumes e verduras crus ou cozidos.
Chévre*- queijo de leite de cabra cremoso
Boursin* ou tipo boursin- queijo de leite de vaca cremoso, tem uma receita em posts mais antigos no blog
Em prato de sobremesa arrume a brunoise num aro culinário e guarneça com um galhinho de hortelã, na lateral disponha o laticínio escolhido a colheradas e por cima uma colher de sobremesa rasa da geléia e sobre ela um pouquinho do coentro picado. Bom apetit!
Pesquisar, escolher e entender aquilo que consumimos pode ajudar a transformar o que às vezes não parece tão saboroso ou neutralizar um sabor que se impõe aos demais e que por essa razão às vezes é deixado de lado, desmistificar na prática algumas regras absolutas pode trazer resultados bem interessantes.
Durante uma das aulas do Cordon Vert, cortes de pimenta, depois de picar umas quantas malaguetas, inadvertidamente cocei os olhos...O ardor é bem mais acentuado do que na boca e meus colegas solidários correram por água gelada para me ajudar, porém uma das professoras mais experiente no assunto, embebeu dois chumaços de algodão em leite que colocou sobre meus olhos. Efeito mágico e quase imediato.
Na verdade quase todos nós sabemos que o leite é capaz de neutralizar alguns venenos que atingem as mucosas, e, no entanto, para nos aliviarmos do ardor da pimenta em geral recorremos sem pensar duas vezes a água...
Existem as chamadas pimentas de cheiro apenas perfumadas com um ardor muito ligeiro, dessas hoje em dia sou fã, já das outras sempre busquei distância, porém em função dessa experiência durante meu curso resolvi dar uma chance à pimenta ardida e criar com ela um prato que realce o after taste ( retro sabor) além do ardor.
Geléia de pimenta
Ingredientes:
2 xcs de açúcar orgânico branco
Suco e casca ralada de 1 limão siciliano
300 ml de água
100 ml de suco de maçã fresco
4 pimentas malaguetas verdes ou vermelhas
Preparo:
Lave, seque e pique bem a malagueta (se não for usar luvas para picar, lembre de lavar bem as mãos com sabão neutro, certos detergentes e pimenta podem detonar uma reação de queimadura) e reserve. De preferência em panela de ágata leve os outros ingredientes ao fogo brando até levantar fervura, mexendo de vez em quando. Acrescente a pimenta e deixe cozinhar por 20/30 minutos, mexendo a cada quanto, acrescente mais açúcar aos poucos se achar necessário. Desligue o fogo tampe a panela e deixe esfriar. Para estocar tenha um vidro fervido e esterilizado com álcool.
Segue uma entrada bem saborosa que utiliza a geléia.
Brunoise* de cantaloupe au poivre rouge
Ingredientes:
1 receita de geléia de malagueta vermelha
Melão cantaloupe
2 ou 3 cls de sopa de mascarpone, boursin* ou chévre* por pessoa
Folhas de hortelã
Coentro bem picado (opcional)
Preparo:
Brunoise*- técnica francesa de corte em cubinhos homogêneos que se presta a frutas, legumes e verduras crus ou cozidos.
Chévre*- queijo de leite de cabra cremoso
Boursin* ou tipo boursin- queijo de leite de vaca cremoso, tem uma receita em posts mais antigos no blog
Em prato de sobremesa arrume a brunoise num aro culinário e guarneça com um galhinho de hortelã, na lateral disponha o laticínio escolhido a colheradas e por cima uma colher de sobremesa rasa da geléia e sobre ela um pouquinho do coentro picado. Bom apetit!
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Feijoada; um pouco portuguesa, em nada escrava, quem sabe judaica?
A combinação do arroz de herança Muçulmana, com o feijão de cultivo antigo e comum a todos os povos agricultores foi desde sempre a refeição mais popular e democrática trazida da Europa para a América latina.
Achei interessante saber que em Cuba se chama Moros y Cristianos (mouros e cristãos).
A combinação super alimentícia que já foi chamada de prato de pobre passou a símbolo nacional consumido de norte a sul do país por todas as classes sociais nas mais diversas versões e sua provável origem é a feijoada portuguesa ou a fabada asturiana (faba de fava, leguminosa, feijão) pratos a base de carnes e cereais feitos de véspera e deixados em fogo lento para serem consumidos no dia seguinte, bem quentes, gordurosos e calóricos, próprios para o frio das regiões agrícolas européias.
Nesses guisados nenhum naco de carne seca ou salgada que tivesse sobrado das refeições da semana era desperdiçado; misturados a líquidos temperados com especiarias e acrescidos de legumes e verduras cozinhavam em fogo brando, muito lentamente, até quase desmancharem e se por acaso algum pedaço já estivesse deteriorado o gosto passava totalmente despercebido, misturado que estava a tantos outros ingredientes.
Carlos Augusto Ditadi, especialista em assuntos culturais e historiador do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro desmistifica a hipótese de que a feijoada seja um prato original das senzalas, considera que essa é mais uma lenda contemporânea, fruto de uma versão romanceada das relações sociais e culturais da escravidão no Brasil.
Normalmente servida aos sábados no Brasil, a feijoada coincidentemente ou não segue uma herança judaica trazida pelos novos cristãos, os marranos saídos da Espanha e Portugal que professavam sua religião em segredo, passando veladamente sua cultura para as gerações seguintes sem dar nomes aos bois. A religião judaica não permite tarefas mecânicas na sexta-feira depois que a terceira estrela desponta no céu marcando o começo do shabat, cozinhar é uma dessas tarefas não permitidas e talvez a feijoada portuguesa tenha como origem o cholent, tradicional guisado judeu de shabat que também começava a ser cozido no dia anterior e levava basicamente os mesmos ingredientes em qualquer parte do mundo onde houvesse judeus praticantes.
Quanto a fabada que é uma feijoada criada em Astúrias, há uma boa probabilidade que tenha origem no cholent já que uma pesquisa recente encomendada a Universidade de Leicester na Inglaterra e a Pompeu Fabra de Barcelona, confirma que é no principado de Astúrias que se encontram vestígios genéticos de maior predominância judeu sefaradita de toda a Espanha. É certo que de acordo com a lei alimentar judaica, a kashrut, a carne de porco é vedada, mas é difícil se certificar que tipo de carnes eram adicionadas inicialmente à feijoada ou se em algum momento foram substituídas por outras. Tem-se notícia registrada da feijoada apenas a partir do século XIX e o exemplo mais antigo está no Diário de Pernambuco de 7 de agosto de 1833, no qual o Hotel Théâtre, de Recife, informa que às quintas-feiras seria servida “feijoada à brasileira”(referência talvez ao caráter adaptado do prato?). Um caso a pensar...
Achei interessante saber que em Cuba se chama Moros y Cristianos (mouros e cristãos).
A combinação super alimentícia que já foi chamada de prato de pobre passou a símbolo nacional consumido de norte a sul do país por todas as classes sociais nas mais diversas versões e sua provável origem é a feijoada portuguesa ou a fabada asturiana (faba de fava, leguminosa, feijão) pratos a base de carnes e cereais feitos de véspera e deixados em fogo lento para serem consumidos no dia seguinte, bem quentes, gordurosos e calóricos, próprios para o frio das regiões agrícolas européias.
Nesses guisados nenhum naco de carne seca ou salgada que tivesse sobrado das refeições da semana era desperdiçado; misturados a líquidos temperados com especiarias e acrescidos de legumes e verduras cozinhavam em fogo brando, muito lentamente, até quase desmancharem e se por acaso algum pedaço já estivesse deteriorado o gosto passava totalmente despercebido, misturado que estava a tantos outros ingredientes.
Carlos Augusto Ditadi, especialista em assuntos culturais e historiador do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro desmistifica a hipótese de que a feijoada seja um prato original das senzalas, considera que essa é mais uma lenda contemporânea, fruto de uma versão romanceada das relações sociais e culturais da escravidão no Brasil.
Normalmente servida aos sábados no Brasil, a feijoada coincidentemente ou não segue uma herança judaica trazida pelos novos cristãos, os marranos saídos da Espanha e Portugal que professavam sua religião em segredo, passando veladamente sua cultura para as gerações seguintes sem dar nomes aos bois. A religião judaica não permite tarefas mecânicas na sexta-feira depois que a terceira estrela desponta no céu marcando o começo do shabat, cozinhar é uma dessas tarefas não permitidas e talvez a feijoada portuguesa tenha como origem o cholent, tradicional guisado judeu de shabat que também começava a ser cozido no dia anterior e levava basicamente os mesmos ingredientes em qualquer parte do mundo onde houvesse judeus praticantes.
Quanto a fabada que é uma feijoada criada em Astúrias, há uma boa probabilidade que tenha origem no cholent já que uma pesquisa recente encomendada a Universidade de Leicester na Inglaterra e a Pompeu Fabra de Barcelona, confirma que é no principado de Astúrias que se encontram vestígios genéticos de maior predominância judeu sefaradita de toda a Espanha. É certo que de acordo com a lei alimentar judaica, a kashrut, a carne de porco é vedada, mas é difícil se certificar que tipo de carnes eram adicionadas inicialmente à feijoada ou se em algum momento foram substituídas por outras. Tem-se notícia registrada da feijoada apenas a partir do século XIX e o exemplo mais antigo está no Diário de Pernambuco de 7 de agosto de 1833, no qual o Hotel Théâtre, de Recife, informa que às quintas-feiras seria servida “feijoada à brasileira”(referência talvez ao caráter adaptado do prato?). Um caso a pensar...
domingo, 26 de setembro de 2010
É primavera
Em vão, centenas de milhares de homens, amontoados
num pequeno espaço, se esforçavam por desfigurar a
terra em que viviam. Em vão a cobriam de pedras
para que nada pudesse germinar; em vão arrancavam
as ervas tenras que pugnavam por irromper; em vão
impregnavam o ar de fumaça; em vão escorraçavam
os animais e os pássaros - Em vão…
Porque até na cidade, a Primavera é Primavera.
—Tolstói, em "Ressurreição"
Uma pequena lufada apenas e o chão fica logo coberto de vermelhos e amarelos, roxos e rosas, dos ipês, das quaresmeiras e das muitas árvores que não conheço o nome, mas me consola a certeza de não ser a única na cidade. E não obstante, a primavera chegou, indiferente a nomes e com ela os tapetes floridos que se descortinam a céu aberto e se esparramam pelo chão dessa cidade, maravilhosa em qualquer estação, mas quando a primavera chega...
Há orquídeas em exposição no Jardim Botânico, e qual não foi minha surpresa ao descobrir durante pesquisas que é ingrediente em nossa mesa uma orquídea não tão bela como suas primas ou irmãs, mas que talvez seja mais famosa e tenha usufruído de muito mais prestigio e longevidade que as primeiras, e que seu perfume tenha inebriado desde o império asteca às cortes inglesas e francesas. Que foi um dia muito mais rara do que a mais rara de todas as orquídeas negras e pagava-se por cada pistilo seu fortunas em moedas de ouro.
Debutou na Europa como ingrediente de remédios complexos, indo parar nas boticas de famosos doutores, mas aos poucos foi ocupando o lugar de honra que lhe era destinado; a mesa da realeza.
Não veio da África, como muitas de suas irmãs, mas da Mesoamérica e como todos os tesouros descobertos pelos espanhóis nesse continente foi surrupiada por mãos ávidas numa tentativa frustrada de ser plantada em solo europeu, mas, caprichosa não cedeu.
Aos colonizadores nunca lhes bastou experimentar, era preciso se apropriar, porém seu solo não conseguia multiplicar nem esse nem os outros tesouros trazidos das Américas do Sul e Central, a terra não se prestava ao plantio dos frutos importados e ao clima faltava calor e umidade que os fizesse desenvolver.
A baunilha é uma orquídea com pistilos de verde variado que quando secos escurecem como carvão. Intensamente saborosa, tem aroma incomum à maioria dessas flores e um sabor delicado e característico. Ainda é um produto razoavelmente caro e a líquida que encontramos nos supermercados não é baunilha de verdade, mas um composto aromatizado.
É possível fabricar o extrato de forma caseira, leva tempo para aromatizar, mas não é nada complicado.
num pequeno espaço, se esforçavam por desfigurar a
terra em que viviam. Em vão a cobriam de pedras
para que nada pudesse germinar; em vão arrancavam
as ervas tenras que pugnavam por irromper; em vão
impregnavam o ar de fumaça; em vão escorraçavam
os animais e os pássaros - Em vão…
Porque até na cidade, a Primavera é Primavera.
—Tolstói, em "Ressurreição"
Uma pequena lufada apenas e o chão fica logo coberto de vermelhos e amarelos, roxos e rosas, dos ipês, das quaresmeiras e das muitas árvores que não conheço o nome, mas me consola a certeza de não ser a única na cidade. E não obstante, a primavera chegou, indiferente a nomes e com ela os tapetes floridos que se descortinam a céu aberto e se esparramam pelo chão dessa cidade, maravilhosa em qualquer estação, mas quando a primavera chega...
Há orquídeas em exposição no Jardim Botânico, e qual não foi minha surpresa ao descobrir durante pesquisas que é ingrediente em nossa mesa uma orquídea não tão bela como suas primas ou irmãs, mas que talvez seja mais famosa e tenha usufruído de muito mais prestigio e longevidade que as primeiras, e que seu perfume tenha inebriado desde o império asteca às cortes inglesas e francesas. Que foi um dia muito mais rara do que a mais rara de todas as orquídeas negras e pagava-se por cada pistilo seu fortunas em moedas de ouro.
Debutou na Europa como ingrediente de remédios complexos, indo parar nas boticas de famosos doutores, mas aos poucos foi ocupando o lugar de honra que lhe era destinado; a mesa da realeza.
Não veio da África, como muitas de suas irmãs, mas da Mesoamérica e como todos os tesouros descobertos pelos espanhóis nesse continente foi surrupiada por mãos ávidas numa tentativa frustrada de ser plantada em solo europeu, mas, caprichosa não cedeu.
Aos colonizadores nunca lhes bastou experimentar, era preciso se apropriar, porém seu solo não conseguia multiplicar nem esse nem os outros tesouros trazidos das Américas do Sul e Central, a terra não se prestava ao plantio dos frutos importados e ao clima faltava calor e umidade que os fizesse desenvolver.
A baunilha é uma orquídea com pistilos de verde variado que quando secos escurecem como carvão. Intensamente saborosa, tem aroma incomum à maioria dessas flores e um sabor delicado e característico. Ainda é um produto razoavelmente caro e a líquida que encontramos nos supermercados não é baunilha de verdade, mas um composto aromatizado.
É possível fabricar o extrato de forma caseira, leva tempo para aromatizar, mas não é nada complicado.
Assinar:
Postagens (Atom)